O asfalto parecia não ter fim.
Rafael via a estrada passar pela janela da caminhonete de João, o horizonte sempre distante, e o coração preso entre a fazenda e o futuro incerto. Cada curva trazia lembranças — o riso de Isabella no estábulo, o cheiro do café de Seu Anselmo, o som dos grilos à noite. Tudo parecia perto e longe ao mesmo tempo.
— Tá quieto, rapaz. — disse João, tirando os olhos da estrada por um instante.
— Tô pensando.
— Pensando ou sentindo falta?
Rafael riu de leve.
— As duas coisas.
João sorriu, sem insistir. Era homem vivido; sabia o que era deixar algo — ou alguém — pra trás.
A cidade apareceu de repente, com seus prédios baixos e as luzes piscando nas esquinas. Rafael sentiu o coração bater acelerado. Fazia meses desde que saíra de um lugar assim. O cheiro de gasolina e comida de rua o golpeou com força, lembrando-o do que tinha deixado: a rotina, os sonhos interrompidos, as promessas que um dia fez a si mesmo.
O estúdio de gravação era pequeno, mas moderno. O p