As manhãs voltaram a nascer iguais na fazenda, mas o tempo já não tinha o mesmo sabor.
Isabella acordava antes do sol, como sempre, mas o silêncio parecia mais denso — o tipo de silêncio que carrega lembranças. O café no fogão de lenha fervia, o rádio sussurrava notícias da cidade, e ela seguia com a rotina, tentando não pensar. Mas bastava o vento soprar diferente, ou o tilintar de uma corda solta no violão encostado na parede, para que o peito apertasse outra vez. Desde a ligação de Rafael, dias atrás, o coração dela parecia ter ganhado um novo ritmo — lento, hesitante, cheio de esperança e medo.
Na cidade, o ritmo era outro — acelerado, barulhento, desafiador. Rafael acordava em hotéis, com paredes brancas e janelas altas, sem cheiro de terra ou café. As entrevistas se multiplicavam, as apresentações também. Mauro, o produtor, sorria orgulhoso ao ver o nome dele aparecer em rádios de todo o estado.
— “Entre o Campo e o Sonho” tá virando sucesso, garoto! — dizia ele, batendo nas cos