Os dias seguintes à tempestade pareciam um presente.
O sol voltara a brilhar com doçura, sem o calor excessivo dos verões duros, e a fazenda respirava um ritmo novo — mais leve, quase sereno. O cheiro de terra úmida ainda persistia no ar, misturado ao das flores silvestres que teimavam em nascer às margens do caminho.
Isabella caminhava descalça pelo quintal, sentindo a grama fria sob os pés, enquanto o vento bagunçava seus cabelos. Desde a chuva, algo dentro dela havia mudado. Não era apenas a lembrança do medo, ou a gratidão por Rafael estar bem — era algo mais profundo, como se o coração tivesse encontrado um motivo para pulsar diferente. Ela não sabia ao certo quando começou a olhar para ele com outros olhos. Talvez tenha sido naquela noite sob as estrelas. Ou no momento em que o viu ferido, sujo de barro, mas ainda teimoso, tentando se levantar.
Talvez o amor seja isso: um acúmulo silencioso de instantes. Rafael, por sua vez, parecia revigorado. Voltava a cantar. Nos int