Isabella voltou para a fazenda numa tarde morna, com o carro mais silencioso do que de costume. Não era cansaço — era atenção. Cada curva da estrada parecia pedir que ela olhasse com mais cuidado, como se o caminho soubesse que algo estava prestes a mudar.
Clara dormia na cadeirinha, o rosto sereno, uma das mãos fechada como quem segura sonhos pequenos e inteiros. Isabella diminuiu a velocidade ao avistar a porteira, o rangido conhecido soou quase como um cumprimento.
— Chegamos. — murmurou, mais para si do que para a filha.
A casa grande a recebeu com o cheiro de sempre: madeira, café antigo, vento atravessando as janelas. Mas agora, pela primeira vez, Isabella entrou olhando diferente. Não com despedida — com organização.
Na manhã seguinte, começou devagar. Abriu armários, separou roupas, empilhou caixas vazias no canto da sala. Nada era jogado fora sem critério, cada objeto passava pela mão como quem pede licença antes de seguir outro destino. Dona Lourdes observava da porta, apoia