Belo Horizonte recebeu Isabella num dia claro, barulhento e cheio de curvas — como se quisesse se apresentar por inteiro logo de início. O trânsito apressado, as fachadas altas, o som contínuo dos ônibus e das vozes misturadas eram um contraste quase físico com a quietude da fazenda. Ainda assim, ela não se sentiu deslocada. Apenas atenta.
Dona Lourdes caminhava ao lado dela com passos firmes, bolsa pendurada no braço, o olhar curioso de quem observa sem se intimidar.
— Cidade não morde. — comentou, atravessando a rua com segurança — Só fala alto demais.
Isabella sorriu.
— Às vezes parece que tá sempre com pressa.
— Porque aqui o tempo corre diferente. — Dona Lourdes respondeu — Mas isso não quer dizer que a gente não possa ensinar ele a andar mais devagar.
As duas passaram a manhã visitando casas, algumas bonitas demais e frias demais. Outras práticas, mas apertadas. Isabella entrava, olhava, abria janelas, imaginava Clara correndo, Rafael chegando cansado de um ensaio, o cheiro de ca