O dia da mudança amanheceu mais cedo do que o sol. Isabella acordou antes do despertador, como se o corpo soubesse que aquele não era um dia comum. A casa ainda dormia, envolta num silêncio espesso, respeitoso. Ela levantou devagar para não acordar Clara e percorreu os cômodos com passos leves, quase cerimoniais. As caixas estavam alinhadas perto da porta, etiquetadas, organizadas, prontas. Mas a casa… a casa não parecia pronta.
Passou a mão pela mesa da cozinha, a mesma onde aprendera a tomar decisões difíceis. Tocou o batente da porta do quarto, onde tantas noites havia chorado em silêncio e tantas outras dormido em paz. Tudo ali tinha memória.
Clara acordou pouco depois, com um balbucio manhoso. Isabella a pegou no colo e encostou o rosto no cabelinho fino da filha.
— Hoje a gente vai viajar, meu amor. — murmurou — Mas antes… a gente se despede.
Rafael já estava do lado de fora, ajudando a carregar as últimas coisas. Parou quando viu Isabella sair com Clara no colo. Havia algo dife