Clara aprendeu a sentar antes de aprender a falar. Sentava-se no tapete da sala com as pernas ainda desajeitadas, o equilíbrio frágil, mas o olhar atento, curioso, como se o mundo inteiro fosse uma coisa nova pedindo explicação. Isabella observava aquela descoberta com uma mistura de encanto e melancolia — porque cada avanço da filha era também um lembrete silencioso do tempo passando.
A casa estava aberta naquela manhã. Janelas escancaradas, cheiro de pão fresco vindo da cozinha, o som distante do curral misturado ao canto insistente dos pássaros. Dona Lourdes dobrava roupas na mesa grande, Tonico entrava e saía com tarefas pequenas, e Rafael havia saído cedo para resolver algo na cidade.
Isabella estava sentada no chão, de frente para Clara, batendo palmas devagar.
— Fala, meu amor… — dizia, com a voz doce — Ma-mãe.
Clara respondeu com um som confuso, meio riso, meio sílaba, e bateu as mãos com força demais, quase se desequilibrando.
— Isso, isso… — Isabella riu — Devagar.
Dona Lour