A chuva caía com violência quando Luna atravessou a porta de vidro.
Não era uma chuva comum — era daquelas que parecem limpar e ferir ao mesmo tempo. Grossa. Fria. Decidida.
O prédio permanecia discreto do lado de fora, quase invisível aos olhos apressados da cidade. Nenhuma placa, nenhum letreiro, nenhuma pista de que ali dentro decisões eram tomadas longe da luz pública. Ainda assim, tudo naquele lugar carregava peso. O tipo de peso que não se mede em concreto, mas em consequências.
Assim que entrou, o som da chuva ficou para trás. O silêncio interno era absoluto. Controlado. Calculado.
Luna caminhou pelo corredor longo sem ser anunciada. Não precisou. A presença dela precedia qualquer formalidade. O ar mudou quando ela se aproximou da sala principal — e todos ali sentiram.
A mesa era grande. Pessoas demais para um espaço pequeno. Rostos conhecidos. Outros, nem tanto. Alguns olhares carregavam curiosidade. Outros, resistência. Havia também medo — e Luna reconhecia esse tipo com fac