O preço começou a ser cobrado antes mesmo que alguém dissesse em voz alta que não havia mais retorno.
Lyria sentiu isso no corpo. Não como dor, mas como um tipo específico de alerta — aquele que surge quando a mente entende algo que o mundo ainda não verbalizou. O ar parecia mais pesado. As conversas, mais cuidadosas. Até os silêncios tinham mudado de textura.
Não era paranoia. Era percepção refinada pelo atrito.
O sistema havia entendido que não conseguiria empurrá-la de volta ao lugar de onde ela saíra. E quando isso acontece, o poder não tenta mais corrigir o desvio — ele começa a cobrar pelo atrevimento.
— Estamos entrando na fase do custo — disse Lyria, durante a reunião fechada, sem dramatizar.
Ninguém pediu explicação. Todos sabiam.
O custo não vinha como punição explícita. Não ainda. Ele surgia em pequenas retiradas calculadas: acessos suspensos “temporariamente”, decisões adiadas sem justificativa, respostas que antes eram rápidas e agora vinham vagas ou simplesmente não vinh