O ataque não veio com violência imediata.
Veio com pressa.
E isso, para Lyria, foi o primeiro sinal claro de que algo havia saído do controle do outro lado.
Ela percebeu na forma como as mensagens começaram a chegar todas de uma vez, sem a cadência habitual. O sistema que antes operava com precisão cirúrgica agora se movia com ansiedade. Era como observar alguém que perdeu o domínio da própria respiração.
— Eles estão errando o tempo — disse ela, enquanto analisava os primeiros relatórios.
O ataque se apresentava como “necessário”, “inevitável”, “responsável”. Um discurso cuidadosamente embalado para justificar medidas duras sob a aparência de ordem. Mas havia falhas. Pequenas contradições. Afirmações que se atropelavam.
— Quando o poder precisa explicar demais — comentou a peça humana, sentada ao seu lado — é porque já não se sustenta sozinho.
Lyria concordou.
O primeiro movimento foi administrativo. Cortes seletivos, revisões súbitas, suspensões temporárias que, na prática, funciona