Zurique, 2h da manhã
A mansão dorme.
Mas Valentina não.
A cidade ao fundo parece uma pintura imóvel.
Ela está sentada na beira da cama, os pés no chão frio, o celular aceso.
Só duas palavras:
“Venha. Agora.”
Sem assinatura.
Mas ela não precisa.
Ela levanta devagar.
Escolhe o vestido preto de tecido líquido — o mesmo que Dante observou com desprezo e tesão no jantar.
Aquele que escorre pelo corpo como pecado feito à mão.
Vai sem lingerie. Sem perfume. Sem palavras.
O corredor é longo.
Silencioso