O relógio de parede marcou o fim da nossa conversa antes mesmo que eu percebesse o tempo passar. Não que tivéssemos trocado palavras calorosas ou gestos afetuosos — aquilo não era a nossa natureza. Mas havia algo diferente pairando no ar, como se parte da muralha que separava mãe e filha tivesse sido derrubada, mesmo que apenas por alguns centímetros.
Levantei-me lentamente, e ela fez o mesmo. Ainda mantinha a postura ereta, o queixo erguido e os olhos frios, mas agora havia uma sombra ali. Um