O silêncio na mansão Valla nunca fora tão ensurdecedor. Para Arthur, o silêncio sempre fora um aliado, uma ferramenta de trabalho que lhe permitia pensar, calcular e vencer. Mas agora, o silêncio tinha garras. Ele arranhava as paredes de seda, ecoava nos corredores vazios e parecia zombar dele a cada batida do relógio de pêndulo na biblioteca.
Arthur estava sentado em sua poltrona, a mesma onde, noites atrás, ele vira Lara sob a luz da lareira. Na palma de sua mão, o anel de safira parecia emitir um frio glacial. Ele o apertou com tanta força que o metal cravou em sua pele, mas a dor física era um pálido reflexo do vazio que se abrira em seu peito.
— Ela se foi, senhor.
A voz de Henderson era baixa, tingida de uma reprovação que o mordomo nunca se permitira em trinta anos de serviço. Arthur não levantou a cabeça.
— Eu sei.
— Ela não levou nada, senhor. Nem as roupas novas, nem as joias. Apenas o vestido azul com que chegou e o pequeno broche de prata.
Arthur sentiu um espasmo na ga