O bairro de East End era o avesso da moeda de Mayfair. Ali, a névoa não decorava jardins; ela escondia o crime e o desespero. Arthur cavalgava com uma fúria que ignorava a lama que manchava suas botas de couro legítimo e o frio que penetrava em seus ossos. Ele tinha um endereço amassado no bolso e um terror crescente no coração.
Ao virar a esquina da rua da pensão, o cenário que encontrou fez seu sangue congelar.
Uma carruagem decrépita estava parada diante do prédio de tábuas apodrecidas. Três homens de ombros largos e rostos marcados por cicatrizes cercavam uma figura frágil que tentava, em vão, manter a porta da pensão fechada. Era Lara. Ela estava pálida, o vestido azul encharcado pela chuva, mas seus olhos ainda ardiam com aquela centelha de desafio que Arthur tanto amava.
— Eu já disse que não tenho o dinheiro hoje! — gritava ela, a voz falhando. — Mas eu vou conseguir! Eu tenho um emprego...
— Mentirosa! — rosnou o homem mais alto, agarrando Lara pelo braço com uma força bru