Linhas de Convergência.
Ana Luísa
A casa estava silenciosa demais naquela manhã.
Não era o silêncio comum, doméstico, feito de rangidos antigos e vento atravessando frestas.
Era um silêncio denso, carregado, como se o ar tivesse decidido prender a respiração junto com ela.
Ana Luísa permaneceu alguns segundos parada no meio da sala, sentindo o frio do assoalho atravessar as solas dos pés.
Tinha acordado com uma sensação estranha, um peso no estômago que não se explicava por medo, mas por antecipação.
Como se algo estivesse prestes a acontecer, não um evento pontual, mas um deslocamento.
Uma mudança de eixo.
Passou os dedos pelo braço, tentando afastar o arrepio persistente.
— Ele está errando. Murmurou para si mesma, sem saber exatamente por que tinha certeza disso.
No escritório improvisado, os documentos estavam organizados com rigor quase obsessivo.
Pastas, etiquetas, mapas sobrepostos por fios de lã vermelha.
Um desenho que, para qualquer estranho, pareceria caótico. Para e