A Insônia .
Ele não dorme há três noites.
Não por falta de oportunidade, mas porque fechar os olhos se tornou perigoso.
Sempre que tenta, a cena retorna com uma precisão cruel demais para ser imaginação:
O clarão seco, o som que não foi exatamente uma explosão, mas uma ruptura, algo partindo, algo saindo do eixo.
O erro.
Ele se senta à mesa de madeira escura, os dedos longos apoiados sobre um mapa antigo de Vale das Rosas.
As linhas desenhadas a lápis, antes tão claras, agora parecem confusas, quase ofensivas.
Tudo ali foi pensado para funcionar como um mecanismo delicado.
Cada peça no lugar certo.
Cada pessoa ocupando o papel que deveria ocupar.
E, ainda assim, algo escapou.
A xícara de café ao lado está intacta há horas.
Fria.
Ele não a toca.
Não confia nas próprias mãos.
Desde o atentado, percebe pequenos tremores que surgem sem aviso, principalmente quando pensa nela.
Ana Luísa.
Ele range os dentes ao ouvir mentalmente o nome.
— Foi um aviso. Murmura para si mesmo, como