Os dias seguintes chegaram sem anúncios.
Não houve ligações estranhas, visitas inesperadas ou mensagens ameaçadoras. Nada. E, justamente por isso, Maya demorou a relaxar. A família Alencastro nunca agia no impulso. O silêncio deles sempre significava observação.
Ainda assim, a rotina voltou a ocupar espaço — e, pouco a pouco, trouxe algo que ela não sentia havia muito tempo: paz.
Enzo acordava cedo, reclamava do café sem açúcar, mas aceitava. Maya o levava à escola, esperava do lado de fora, conversava com outras mães sem dizer mais do que precisava. À tarde, ajudava com tarefas, inventava jogos, deixava que ele fosse criança sem cobranças.
Orion observava tudo à distância.
Não interferia. Não corrigia. Apenas via.
Numa dessas tardes, Maya estava sentada no chão da sala com Enzo, espalhando peças de montar, quando percebeu Orion parado no corredor, braços cruzados, expressão indecifrável.
— A gente tá construindo uma base espacial — Enzo explicou, sem olhar para o pai.
— Uma base? — O