Na manhã seguinte, a casa acordou em um estado estranho de calma.Não era a tranquilidade comum, feita de rotina e silêncio controlado. Era outra coisa. Um cuidado invisível, quase tenso, como se cada pessoa ali estivesse tentando não pisar em um terreno recém-fraturado.Maya percebeu isso antes mesmo de descer para a cozinha.O quarto parecia menor. O ar, mais pesado. Ela se vestiu devagar, escolhendo uma roupa simples, neutra demais para quem, por dentro, sentia tudo longe de ser simples. Ao sair, encontrou Dona Cida já de pé, organizando o café como sempre.— Bom dia — a mulher disse.— Bom dia.Nada diferente ali. E, ainda assim, tudo parecia diferente.Enzo surgiu logo depois, bocejando, o dinossauro apertado contra o peito. Quando viu Maya, abriu um sorriso pequeno, mas verdadeiro.— Você não foi embora — constatou.Maya se abaixou à altura dele.— Eu disse que avisaria, lembra?Ele assentiu, satisfeito, como se aquela fosse a única confirmação que importava.Orion não apareceu
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