A família Alencastro não fazia barulho quando se movia.
Nunca precisou.
Enquanto Maya — ou Valentina, no nome que voltara a existir — tentava reconstruir a própria respiração dentro da casa de Orion Ferraz, a engrenagem que ela conhecia tão bem começava a girar em outro ponto da cidade. Um ponto alto, silencioso, protegido por vidros espelhados e decisões tomadas longe de qualquer escrutínio público.
Na sala ampla de um escritório que ocupava dois andares inteiros, três homens e uma mulher estavam sentados à mesa.
Nenhum deles parecia com pressa.
A pressa era coisa de quem não tinha poder.
— Então é confirmado — disse a mulher, cruzando as pernas com elegância calculada. — Ela reapareceu.
O homem à cabeceira da mesa não respondeu de imediato. Passou os dedos devagar pela borda do copo de água, gesto que muitos confundiam com distração, mas que sempre antecedia decisões definitivas.
— Ela nunca desaparece de verdade — respondeu por fim. — Apenas muda de pele.
— O nome que ela usa agora