A paz não chegou como um prêmio.
Chegou como hábito.
Maya percebeu isso numa manhã comum, enquanto observava Enzo calçar os tênis sozinho, concentrado demais para aceitar ajuda. O sol entrava pela janela da cozinha, Dona Cida cantarolava baixo, e a casa parecia… viva. Não tensa. Não em espera. Viva.
— Olha, consegui — Enzo anunciou, orgulhoso.
— Conseguiu mesmo — Maya disse, sorrindo. — Próximo passo: amarrar.
Ele fez uma careta.
— Um problema de cada vez.
Ela riu. Um riso fácil, quase esquecido.
Orion assistia de longe, encostado na porta, café na mão. Não interrompeu. Apenas ficou ali, absorvendo aquele tipo de cena que nunca aprendera a planejar — e que agora começava a desejar.
— Vou chegar mais cedo hoje — ele disse, como quem comenta o clima.
Maya assentiu, sem dar importância demais. Mas deu.
Depois que Enzo saiu para a escola, a casa ficou silenciosa. Não o silêncio pesado de antes. Um silêncio confortável, que não exigia vigilância.
Maya organizou algumas coisas, leu um pouco