Narrado por Antonella
Quando saí do apartamento daquele velho nojento, desci as escadas com o coração batendo rápido demais. A raiva queimava dentro de mim como metal quente. Ele realmente achou que podia me comprar. Como se meu desespero fosse licença pra ele fazer o que quisesse.
Que homem repulsivo.
Andei rápido pelas ruas estreitas e geladas da periferia de Moscou, onde eu morava. Aquelas construções antigas, cinzentas, com pintura descascada e cheiro de frio molhado, pareciam observar meu surto silencioso. Cada passo batia no chão congelado como se eu estivesse esmagando a indignação que subia pela minha garganta.
Eu tremia — não de medo, mas de ódio.
Se eu tivesse ficado mais um minuto naquela casa, teria quebrado a cara dele com o balde de limpeza. E ele ainda teria espalhado que eu era culpada.
No caminho de volta, mandei mensagem para a Alessia:
Antonella:
“Já estou indo buscar a Lorena. Aconteceu uma coisa absurda. Quando eu chegar, te explico.”
A resposta veio quas