Narrado por Antonella
Quando a Alessia saiu, eu fiquei parada no meio da sala, encarando o nada. O silêncio parecia zombar da minha cara. Eu sabia que, se eu recusasse, ela ia continuar me ajudando. Ela sempre ajuda. Mas, porra… é muita pressão nas costas dela. E eu sinto que cada favor que eu aceito pesa no meu corpo inteiro.
Puta que pariu.
Recomeçar?
Recomeçar é uma palavra bonita na boca dos outros.
A vida real é outra coisa.
É feia, pesada, e te j**a no chão só pra ver se você levanta.
Sentei na cadeira velha do computador, abri o site de empregos e comecei a mandar currículo. De novo. Pela milésima vez. Sempre os mesmos anúncios, sempre a mesma sensação de estar implorando.
Ninguém responde.
Ninguém liga.
Ninguém se importa.
Eu já estava pronta pra desligar tudo quando o celular tocou.
Na tela apareceu: Mr. Peterson.
Quase gemi de desespero.
Um velho americano ranzinza, chato pra caralho, que vive em Moscou há anos, dono de uma lojinha de conveniência perto da esta