Mundo de ficçãoIniciar sessãoMaya
O ar gélido da antissala parecia cortar os meus pulmões a cada respiração curta e trêmula. A humilhação ainda queimava na minha pele, viva e pulsante, misturada ao calor do sêmen de Dominic que ameaçava escorrer pelas minhas coxas debaixo do vestido amassado. Eu me recompunha como podia, com os dedos vacilantes tentando ajeitar o tecido azul-escuro sobre o meu corpo violado emocionalmente, quando a voz dele voltou a ecoar pelo recinto, cortante como o rosnado de uma fera impiedosa. — Acabou a palhaçada — declarou Dominic, dando-me as costas com uma postura ereta e inacessível, abotoando os punhos da camisa como se nada tivesse acontecido. — O fingimento, as máscaras de virtude, os joguinhos do Sul... todos vocês foram desmascarados. A partir de hoje, nesta casa e neste reino, quem dá as cartas sou eu. Engoli o nó de dor que travava a minha garganta. Limpei o canto da boca com o dorso da mão e reuni as últimas forças que restavam na minha alma pisoteada para encará-lo. — Se eu sou apenas uma farsa... se o senhor me odeia tanto e me considera igual à escória da minha família... deixe-me ir embora — disse eu, a voz embargada, mas firme o suficiente para romper o silêncio. — Eu posso ir embora desta mansão. Posso ir para o Norte, para bem longe de Valência! Prometo que nunca mais coloco os meus pés aqui e nunca mais procurarei o senhor ou qualquer um dos Davenport. Eu vou refazer a minha vida longe de todos vocês... Eu não consegui terminar a frase. A reação de Dominic foi instantânea e assustadora. As palavras mal saíram da minha boca quando ele girou sobre os calcanhares e avançou. Em um piscar de olhos, as suas mãos fortes me agarraram pelos ombros e me prensaram contra a parede de pedra com um impacto seco. Não para me machucar fisicamente, mas com uma força possessiva e descontrolada que travou os meus movimentos. Os olhos dele, antes tomados pela frieza aristocrática, faiscaram em um tom dourado selvagem, insano de fúria. — Ir embora?! — rosnou ele, a poucos centímetros do meu rosto, a sua respiração quente batendo contra a minha pele. — Você acha mesmo que vai escapar tão fácil depois de tudo o que fez? Você não vai a lugar nenhum, Maya! O seu castigo vai ser exatamente ficar presa aqui nesta mansão! Você vai continuar trabalhando para a minha mãe, exatamente como ela determinou! Você vai olhar para mim todos os dias e se lembrar de quem é e do seu lugar! Pisquei, assustada com a insanidade do seu olhar. — E quanto aos Davenport? — perguntei em um fio de voz. — Arthur e Helena serão banidos desta mansão até segunda ordem. Não quero a presença de nenhum dos dois sob o meu teto — decretou ele com o queixo rígido, os olhos fixos nos meus. — E a Laura? — perguntei, sentindo um aperto terrível no peito, temendo a resposta que o meu coração ingênuo não queria ouvir. Um sorriso frio, maldoso e carregado de um sadismo amargo curvou os lábios do Alfa Supremo. Ele soltou os meus ombros e deu um passo para trás, encarando-me com puro desdém. — Laura? Ela vai continuar sendo a minha noiva — disparou ele, a voz destilando veneno. — O casamento está mantido. A sua irmã terá exatamente o que queria, e você assistirá a tudo da primeira fileira. Aquelas palavras foram a estocada final no meu peito. A dor foi tão profunda que o meu corpo fraquejou. Sem dizer mais uma única palavra, Dominic deu meia-volta, abriu as portas duplas da antissala e saiu a passos largos, deixando o silêncio e a devastação para trás. Sem forças para me manter de pé, fui me arrastando devagar pela parede de pedra até o chão, encolhendo os joelhos contra o peito. As lágrimas represadas finalmente transbordaram em um choro alto, convulsivo e desesperado. O meu mundo ruíra por completo; o meu companheiro de alma me odiava e me usara apenas para saciar a sua raiva e a sua luxúria. Instantes depois, a porta interna dos aposentos se abriu. A Matriarca Eleonora adentrou a antissala a passos apressados, parando em choque ao me ver caída no chão, chorando como uma criança indefesa. — Maya! Por todos os deuses, minha filha! — exclamou a Matriarca, correndo até mim e se ajoelhando no chão, envolvendo os meus ombros com os seus braços acolhedores. — O que aconteceu aqui?! Onde está o Dominic?! — Deu... deu tudo errado, minha senhora... — solucei, escondendo o rosto no colo da senhora de Valência, sentindo o perfume de lavanda do meu vestido limpo misturado ao aroma de Dominic que ainda impregnava a minha pele. — Ele não acreditou em mim... Ele acha que eu sou uma fraude, uma mentirosa... Ele disse que eu sou igual ao meu pai e que o sangue dos Davenport é podre! Eleonora arregalou os olhos cinzentos, acariciando os meus cabelos trêmulos enquanto tentava me acalmar. — Ele não ouviu o seu coração? Ele não sentiu o elo?! — perguntou a senhora, indignada. — Ele só me usou... e disse que o casamento com a Laura está mantido! — gaguejei entre os soluços, a voz falhando pelo aperto no peito. — Ele vai continuar com a Laura... ele me odeia! A Matriarca Eleonora estancou. A sua expressão de choque transformou-se em uma fúria nobre e severa. Ela olhou na direção da porta por onde o filho saíra, o semblante carregado de uma autoridade implacável. — O meu filho só pode ter enlouquecido — declarou a Matriarca, a voz vibrando com uma promessa perigosa enquanto me apertava com mais força em seus braços. — Ele pode ser o Alfa Supremo deste reino, Maya, mas não permitirei que cometa a maior estupidez da sua vida diante dos meus olhos. Isso não vai ficar assim.






