Mundo de ficçãoIniciar sessãoMaya
As palavras de Dominic na penumbra do seu gabinete continuavam a queimar na minha alma como marcas de ferro em brasa. A proximidade do seu corpo, a ameaça velada em seu hálito quente e a promessa de que eu seria dele apenas entre quatro paredes haviam destruído o pouco de dignidade que eu tentava preservar. Ao dobrar o corredor da ala oeste, a tontura atingiu-me como um golpe físico. O chão pareceu inclinar-se bruscamente, e a visão dos meus olhos escureceu por um segundo terrível. Soltei um pequeno gemido de dor, apoiando a mão trêmula na parede de pedra fria para evitar desabar no mármore. Levei a outra mão ao ventre, cobrindo-o de forma protetora. — Ora, ora... o que temos aqui? — a voz abjeta de Thomas ecoou no silêncio da ala. O guarda, que deveria estar em sua postura rígida de vigia na porta dos aposentos de Laura, deu três passos rápidos e calculados na minha direção. Ele olhou para os dois lados do corredor deserto, garantindo que a penumbra estivesse ao seu favor, e sorriu com uma malícia repugnante. — Com licença, guarda Thomas... preciso passar... — pedi num tom quase inaudível, tentando recuar, mas as minhas pernas fraquejaram. Em vez de dar passagem, Thomas avançou com uma audácia planejada. Ele segurou o meu braço com força desnecessária e puxou-me abruptamente contra o seu peito, cercando a minha cintura com os seus braços grossos em um abraço forçado e agressivo. — Não precisa fingir mais, minha linda! — disse Thomas em um tom de voz propositalmente alto e teatral, fazendo a sua fala ecoar pelas paredes de pedra do corredor. — Ninguém está vendo! Você não precisa mais se esconder no meu quarto no meio da noite para matar a saudade! — O quê?! Me solta! Ficou louco?! — gritei, tomada pelo pavor puro, empurrando o peito dele com toda a força que restava nos meus braços enquanto tentava me desvencilhar do seu toque nojento. — Me larga, seu monstro! — Para de palhaçada, Maya! — continuou o guarda, encenando o roteiro macabro que Laura desenhara, agarrando a minha cintura e inclinando o rosto para tentar roçar a boca no meu pescoço. — O nosso segredo já não é mais segredo... eu sei que você está grávida do meu filho! O meu mundo ruiu. O ar sumiu dos meus pulmões e o meu sangue virou gelo. Grávida do meu filho. — Solta ela agora! — o urro de um Alfa ferido cortou o corredor como o estrondo de um trovão divino, fazendo as estruturas da mansão tremerem. A curva do corredor revelou a figura de Dominic. Ele vinha acompanhado por Gabriel e dois oficiais da guarda real. O rosto do Supremo Alfa estava transformado por uma expressão de puro pesadelo; a fúria animal estampava-se em suas orbes douradas que faiscavam em um tom de insanidade, a sua aura de poder preenchendo cada centímetro do espaço e sufocando o ar. Thomas soltou-me no mesmo instante. Ele simulou uma falsa submissão e um susto ensaiado, dando dois passos para trás e abaixando a cabeça diante do soberano com uma perfeição canalha. — Supremo! Perdão! Eu... nós... fomos pegos de surpresa... — gaguejou o guarda, fingindo desespero e culpa. Sem forças nas pernas, caí de joelhos no chão frio de mármore. O meu peito subia e descia em soluços de um pavor incontrolável, enquanto as minhas mãos cobriam o meu ventre em um pavor instintivo. — Dominic... não! É mentira! Ele me agarrou! — gritei num fio de voz quebrado pelo choro, estendendo a mão trêmula na direção dele. — Eu juro pela minha vida, Dominic! Ele se encostou em mim, ele me agarrou! Dominic avançou a passos lentos, pesados e letais. O seu olhar nem sequer pousou nas minhas lágrimas ou no meu desespero; a sua atenção travou no guarda Thomas e, em seguida, desceu para as minhas mãos pressionadas contra o meu ventre. As palavras de Thomas martelavam na mente envenenada do Alfa Supremo como a prova matemática da sua pior paranoia. Para um homem que já me julgava uma mentirosa, uma traidora e uma fraude dos Davenport, a cena armada no corredor era o golpe misericordioso que matava qualquer vestígio de esperança ou de elo que ainda restava entre nós.






