Mundo de ficçãoIniciar sessãoSubo pelo colchão, apoiando o meu peso nos antebraços até ficar na altura do rosto dela.
Os olhos de Maya estão cansados, e os lábios inchados pela força com que ela os mordeu. Me inclino, deixo um beijo demorado na boca dela e sem dizer uma palavra, me afundo dento dela. A sensação de estar novamente dentro dela era indescritível: a sua intimidade estreita e aveludada apertava-me com uma força deliciosa, acolhendo-me com um encaixe tão perfeito que parecia que aquele era o único lugar do mundo onde meu corpo deveria habitar. Iniciei um ritmo lento, firme e profundamente ritmado, sentindo cada milímetro da sua carne se ajustar à minha dimensão. O som do impacto dos nossos corpos colidindo, o roçar da minha pele contra a dela, a respiração entrecortada e o estalar da madeira na lareira eram os únicos ruídos no gabinete trancado. A cada estocada mais rápida e implacável, Maya gemia o meu nome como uma prece trêmula e desesperada: — Dominic... ah, Dominic... mais profundo... mais rápido, por favor... Aumentei a intensidade das investidas, segurando o seu quadril com força, marcando a sua pele macia com os meus dedos, dominando cada um dos seus movimentos e levando-a ao limite do delírio. O cheiro de lavanda e o meu próprio perfume amadeirado de Alfa fundiram-se numa aura densa e inebriante. Vi o momento em que a onda do orgasmo a atingiu em cheio: os olhos dela se reviraram levemente, o seu corpo estremeceu inteiro numa convulsão de prazer e as paredes internas da sua intimidade começaram a se contrair e ordenhar o meu membro em espasmos ritmados e sufocantes. Aquele aperto desesperado, quente e perfeito puxou o meu próprio limite para fora do controle. Dei três investidas brutais, profundas, cravando-me nela até a raiz, e soltei um rosnado grave e animal quando me derramei por completo no fundo do seu ser, inundando a sua intimidade e selando a nossa união biológica sob o calor da lareira. Desabei sobre o corpo dela, mantendo-nos unidos no mesmo abraço apertado, enquanto os nossos corações desaceleravam no mesmo ritmo cansado, febril e apaixonado. Por alguns minutos, não havia mentiras, Conselho ou honra ferida; havia apenas o companheiro de alma acolhendo e preenchendo a sua fêmea na penumbra da noite. A calmaria que se seguiu à tempestade da carne foi um feitiço perigoso. Sentir o corpo macio de Maya repousar sob o meu, acompanhando o subir e descer da sua respiração ainda entrecortada, fez o meu lobo se aquietar em um transe de pura satisfação. Por alguns instantes, o peso da Coroa, a farsa do noivado e a sombra dos Davenport deixaram de existir. Mas o feitiço durou pouco. Aos poucos, a frieza da realidade voltou a invadir o gabinete como um vento gelado. A luz da lareira começou a diminuir, e o suor que antes nos unia começou a esfriar sobre a nossa pele. O meu cérebro, antes dominado pela urgência do desejo, começou a reconstruir as barreiras do orgulho. “Ela enganou você”, sussurrou a voz amarga da minha razão. “Ela se entregou porque sabe que é a única forma de manter você preso ao elo.” Olhei para o rosto de Maya. Ela estava com os olhos fechados, os lábios inchados e rosados pelo nosso beijo, um rastro de suor brilhando na sua testa alva. As mãos dela ainda descansavam docemente nos meus ombros nus, como se tivesse o direito de me segurar ali para sempre. Desvencilhei-me do seu corpo com um movimento brusco e distante. Maya abriu os olhos num sobressalto, encarando-me com uma mistura de susto e fragilidade enquanto eu me levantava do sofá. Não disse uma palavra. Apenas apanhei as minhas roupas do chão e comestei a me vestir com uma precisão metódica, abotoando a camisa e cobrindo a pele que minutos atrás queimara sob o toque dela. — Dominic...? — a voz dela saiu pequena, embargada, cheia de uma esperança Ingênua que me enfureceu. — Recompunha-se — ordenei, sem olhar diretamente para ela, a minha voz voltando ao tom rígido e impessoal de soberano. — O que aconteceu aqui não muda nada do que foi decidido perante o Conselho. Vi a cor sumir do seu rosto de porcelana. Ela puxou os restos da túnica de linho contra o peito, tentando cobrir a sua nudez enquanto se sentava no sofá com movimentos vacilantes. — Não muda nada...? — repetiu ela, as lágrimas voltando a marejar os seus olhos grandes. — Você... você acabou de se entregar a mim, Dominic. A sua alma respondeu à minha! Como você pode dizer que não muda nada?! — O meu corpo respondeu a um instinto biológico primitivo — decretei, virando-me para encará-la com toda a frieza que consegui reunir. — A carne é fraca, Maya. Mas a minha mente não é. Você continua sendo a mulher que mentiu para mim, a bastarda de uma família sem honra. Eu posso ter usado o seu corpo para satisfazer a vontade do meu lobo, mas a minha Coroa e o meu nome continuam longe do seu alcance. Maya levou a mão à boca, soltando um soluço sufocado. A dor estampada na sua fisionomia era um golpe direto no peito do meu lobo, mas esmaguei aquele sentimento sob o salto do meu orgulho. — Vista-se e saia do meu gabinete antes que alguém a veja — conclui, dando-lhe as costas e caminhando até a minha mesa de trabalho. — O seu tempo comigo acabou. Ajustando o tecido do seu vestido como podia, Maya ergueu-se com as pernas trêmulas. Sem emitir mais nenhum som, além do choro contido que tentava sufocar, ela caminhou até a porta, destrancou e saiu pelo corredor escuro, deixando para trás apenas a lembrança do seu perfume e o cheiro amargo da traição que eu insisti em alimentar.






