Antony
Saio do quarto de Carol com o coração na garganta, o gosto dos lábios dela ainda queimando nos meus, quente e doce como aquela noite em Nova York. Fecho a porta com cuidado, mas o clique suave soa como um trovão na minha cabeça, ecoando no corredor silencioso. Aquele beijo desesperado, intenso me deixou zonzo, o calor do corpo dela ainda grudado na minha pele. Mas as palavras dela cortam mais fundo que qualquer coisa: “Não sei se consigo ficar.” Ela está com um pé no voo das sete, a bolsa no canto do quarto como uma ameaça, e eu não sei como impedir isso sem parecer o cara controlador que ela acha que sou. Minha mão ainda formiga onde toquei a cintura dela, e por um segundo, fecho os olhos, tentando segurar a lembrança daquele momento antes que a realidade me engula de novo, com toda a culpa, medo e responsabilidade que carrego.
O corredor do rancho está silencioso, mas a tensão da casa é palpável, como o ar antes de uma tempestade. O cheiro de madeira polida e café frio sobe