Carol
O corredor que leva à sala principal parece um túnel sem fim, cada passo ecoando no chão de madeira polida como se eu estivesse caminhando para um julgamento. Antony está ao meu lado, a postura tensa, os ombros rígidos sob a camisa azul, mas tentando parecer calmo, o chapéu na mão como se fosse um escudo. Minha mão repousa instintivamente na barriga, um gesto que virou hábito nas últimas semanas, como se tocar ali pudesse proteger o bebê do que está por vir. A imagem de Margaret Capell, com aqueles olhos azuis cortantes e o perfume caro, não sai da minha cabeça. Ela já me olhou como se eu fosse uma intrusa sujando o rancho, e agora Antony quer contar a ela sobre a gravidez. Meu estômago embrulha, o coração disparado como se eu estivesse correndo. Como ela vai reagir? Será que vou aguentar ficar sentada, ouvindo o que quer que ela diga?
Entramos na sala principal, e lá está ela, sentada à cabeceira de uma mesa longa, coberta com uma toalha branca impecável, o tipo de coisa que