Antony
A memória explode como um flash — nítida, como se o tempo tivesse parado naquela tarde de verão. O rancho estava quieto; o sol batia forte no pátio, e o cheiro de poeira enchia o ar. Eu tinha 17 anos, Brian 10, e estávamos jogando cartas na varanda quando o som de passos irregulares nos fez olhar. Um menino magro e sujo, cabelos negros emaranhados e olhos fundos de fome, parou no portão; as roupas rasgadas colavam à pele queimada de sol. Era Caleb, 12 anos, um refugiado do México que se perdera da família na travessia da fronteira — vagava sem rumo, pedindo carona.
Brian foi quem o viu primeiro, com o coração mole de sempre.
— Pai! — gritou, saltando da cadeira. — Tem um garoto aqui. Ele precisa de comida!
Meu pai saiu de casa, avaliando o menino com o olhar. Caleb ficou de pé, trêmulo, os olhos baixos, como se esperasse um chute.
— O que você quer, garoto? — perguntou meu pai, a voz grave, sem crueldade.
— Comida — murmurou Caleb, rouco de desidratação. — Qualquer coisa. Po