Carol
O lago do Rancho Capell espelha o céu do fim de tarde, a água capturando tons de laranja e roxo, como se tentasse segurar o crepúsculo antes que a noite chegue. Estou sentada na margem, os pés descalços afundando na grama úmida, o vento leve bagunçando meus cabelos. Evelyn está ao meu lado, as pernas cruzadas, o vestido florido ondulando com a brisa, os cachos ruivos brilhando como fogo na luz suave. Faz um dia que ela e Nathan chegaram, e o rancho parece pulsar com a energia dos risos deles, mas agora, com o silêncio entre nós, o peso do que escondo de Antony aperta meu peito.
— Fala logo, Carol — diz Evelyn, virando o rosto, os olhos cheios de preocupação. — Você tá com aquela cara de quem carrega um segredo que tá doendo.
Suspiro, a mão na barriga, sentindo o bebê se mexer, um lembrete do futuro que quero proteger.
— É o Brian — admito, a voz baixa, como se o nome pudesse acordar algo escondido. — A morte dele não foi acidente. Foi sabotagem. Alguém mexeu nos freios do carro