Capítulo 38

Carol

O disparo corta o ar como um trovão, ecoando na poeira da Fazenda Redstone.

Meu grito rasga a garganta.

— Antony !

O coração para, o mundo gira. Caleb cai primeiro, o sangue manchando a terra seca, os olhos abertos, sem vida. Depois vejo Antony estendido no chão, a arma ainda na mão, o corpo arqueado de dor. Ele pressiona o ombro, onde uma mancha vermelha cresce rápido demais na camisa jeans.

— Não, não, não... — corro até ele, a barriga pesada me atrasando, o bebê chutando como se sentisse o pânico. — Meu Deus! — choro em português, segurando-o ele abre os olhos.

— Carol... — ele sussurra, os olhos cor de mel vidrados, a voz fraca. — Você... tá bem?

— Eu tô, mas você não, seu idiota! — grito, tentando erguer o peso dele, quase me desequilibrando.

O cheiro de pólvora e sangue me sufoca. A caminhonete de Margaret está a poucos metros. Apoio Antony com todas as forças, o suor escorrendo pela testa, o coração disparado. Uma contração me rasga por dentro, a dor como uma lâmina. —
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