Carol
O disparo corta o ar como um trovão, ecoando na poeira da Fazenda Redstone.
Meu grito rasga a garganta.
— Antony !
O coração para, o mundo gira. Caleb cai primeiro, o sangue manchando a terra seca, os olhos abertos, sem vida. Depois vejo Antony estendido no chão, a arma ainda na mão, o corpo arqueado de dor. Ele pressiona o ombro, onde uma mancha vermelha cresce rápido demais na camisa jeans.
— Não, não, não... — corro até ele, a barriga pesada me atrasando, o bebê chutando como se sentisse o pânico. — Meu Deus! — choro em português, segurando-o ele abre os olhos.
— Carol... — ele sussurra, os olhos cor de mel vidrados, a voz fraca. — Você... tá bem?
— Eu tô, mas você não, seu idiota! — grito, tentando erguer o peso dele, quase me desequilibrando.
O cheiro de pólvora e sangue me sufoca. A caminhonete de Margaret está a poucos metros. Apoio Antony com todas as forças, o suor escorrendo pela testa, o coração disparado. Uma contração me rasga por dentro, a dor como uma lâmina. —