Capítulo 6 — Olhos que Observam

Quando chegaram ao luau, Adrian foi conversar com alguns dos lobos, dando espaço para que as meninas pudessem rever e cumprimentar os amigos.

Mesmo assim, seus olhos voltavam para Mia o tempo todo, como se ela fosse um ímã.

Mia estava feliz e animada. Era bom estar em casa e rever os amigos.

Kiara contava, empolgada, para algumas amigas do clã sobre os últimos dias de férias na praia.

Pouco tempo depois que eles chegaram, Ian apareceu acompanhado de Ravena, enquanto Lucca vinha com Seraphine.

Nenhum dos dois parecia muito animado.

Já Ravena e Seraphine caminhavam de braços dados com eles como se exibissem um troféu.

Alguns dos mais puxa-sacos da alcateia quase faziam reverência a Ravena, como se ela já fosse a futura Luna.

Ao ver aquilo, Mia revirou os olhos.

Ela não queria ter que lidar com Ravena naquela noite. Se pudesse evitá-la para sempre, faria sem pensar duas vezes.

Ravena era desagradável e dissimulada.

Desde muito cedo, Mia conhecia bem suas falas cruéis e seus pequenos truques para prejudicá-la.

Ravena, por sua vez, não estava disposta a perder a chance de esfregar na cara de Mia que seria a próxima Luna.

Ela travou quando viu Mia no meio dos amigos, sorrindo naturalmente.

Feliz.

E… bonita.

Como aquela cadela estava bonita.

Ravena estufou o peito, ajeitou os longos cabelos e começou a caminhar em direção a Mia, puxando Ian pela mão.

Quando estavam a cerca de dois metros de Mia, ela soltou Ian discretamente, mas deixando claro que haviam chegado juntos.

— Prima — disse Ravena. — Não imaginei te ver aqui hoje.

— Olá, Ravena — respondeu Mia.

— E então? Como foi no mundo dos humanos? Achei que você fosse ficar por lá de uma vez… bem, você sabe. Com o seu probleminha, você se encaixa melhor lá.

Mia sentiu sua loba querer saltar sobre Ravena.

Antes que respondesse, Adrian apareceu ao seu lado, trazendo um copo com um drink colorido.

— Ei. Trouxe isso para você experimentar.

Ele encostou levemente no braço dela.

Ravena percebeu o gesto e se incomodou imediatamente.

Instintivamente, Ian diminuiu a distância entre eles.

Ravena inflou o peito, achando que aquilo era por ela.

Mas a realidade era outra.

O lobo de Ian quase saltou ao ver outro macho tão próximo de Mia.

E ao ver o sorriso que ela deu para Adrian.

Ele poderia socar Adrian ali mesmo.

Mas por que se sentia assim?

— Ian. Ravena — disse Adrian, cumprimentando-os.

Eles responderam com um aceno.

— Se nos dão licença — continuou Adrian —, vou apresentar Mia a um amigo que está tocando hoje à noite.

Ele pegou o copo novamente e indicou o caminho.

— Adrian e Mia parecem próximos — comentou Ravena, observando os dois se afastarem. — Um filho de Alpha tão importante… será que ele não se importa de ser visto assim com uma sem-lua?

Ian respondeu em tom seco:

— Adrian já se importou alguma vez com o que os outros pensam?

Mas seus olhos continuavam observando a proximidade dos dois enquanto caminhavam.

Mia suspirou aliviada.

— Obrigada por me tirar dali.

— Achei que você não merecia perder tempo da sua primeira noite de volta com as bobagens da Ravena.

Ela sorriu.

— Vocês da Matilha dos Olhos realmente são muito observadores.

Quando chegaram perto da mesa do DJ, Adrian fez as apresentações.

— Mia, esse é o amigo de quem eu falei.

Ele se virou.

— Sebastian Vespera.

— Prazer, Mia — disse Sebastian com um sorriso. — Adrian falou muito de você.

Mia olhou para Adrian, que pareceu um pouco sem graça.

— Espero que bem.

Sebastian riu.

— Sempre.

Mia observou os discos espalhados sobre a mesa de som.

— Nossa… eu e Kiara dançamos muito essas músicas no mundo humano. Onde você conseguiu isso?

Sebastian piscou.

— Eu tenho minhas fontes.

Mia procurou Kiara no meio da multidão.

Quando seus olhares se encontraram, ela gesticulou para que a amiga viesse.

Kiara chegou sorrindo.

— Sebastian, essa é Kiara. Kiara, Sebastian.

— Amiga, olha esses discos!

Kiara se animou imediatamente com as opções musicais.

Enquanto ela falava empolgada sobre as músicas, Sebastian parecia completamente encantado por ela.

Cada palavra que Kiara dizia fazia os olhos dele brilharem.

E foi exatamente isso que Lucca viu à distância.

O rosto dele se fechou.

— Está tudo bem? — perguntou Seraphine, claramente incomodada com a quantidade de vezes que Lucca olhava para Kiara.

— Nossa, eu amo essa música! — disse Mia de repente. — Vem, Ki, vamos dançar!

Ela puxou a amiga pelo braço.

Enquanto isso, Adrian e Sebastian continuaram conversando.

As duas caminharam em direção à pista improvisada na areia da praia.

Mia não sabia se era pelo drink delicioso, pela alegria de estar em casa, pela música ou por tudo isso junto…

Mas sentia o coração pulsando forte.

Ela se deixou levar pelo ritmo da música.

Kiara a acompanhava com naturalidade.

Cada uma com sua própria vibração.

Mas ambas aproveitando o momento.

Quando Ian olhou em direção a Mia, ele ficou petrificado.

Ela movia os braços pelo ar em círculos suaves, como ondas.

Aquilo parecia quase um ritual.

Era como se, naquele momento, ela controlasse o vento e o ritmo da música.

E aqueles malditos olhos âmbar…

…agora pareciam mais amarelos.

Ian soltou o ar que nem sabia que estava prendendo.

Merda. O que estava acontecendo com ele?

Então ele viu Adrian se aproximar para dançar com Mia.

Perto demais.

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