Capítulo 5 — Predador Paciente

Mia desceu as escadas e, quando chegou à metade, chamou:

— Vamos, Kiara!

Com o barulho, Lucca e Ian viraram a cabeça instantaneamente.

Mia tinha um rosto delicado, com traços equilibrados e naturais. As maçãs do rosto levemente marcadas davam um ar elegante, enquanto o nariz pequeno e os lábios bem definidos completavam a harmonia do seu rosto.

Ela vestia uma calça branca aberta nas laterais, uma rasteirinha simples e uma blusa terracota de frente única amarrada no pescoço. O decote mostrava o início de uma flor de lótus — símbolo do clã das bruxas de sua mãe — tatuada entre os seios.

A trança boxeadora agora desfeita deixava os cabelos longos e loros com um efeito frisado natural. Alguns fios tinham pontos de luz queimados pelo sol.

Ela usava quase nenhuma maquiagem, apenas uma pequena estrela e uma lua desenhadas no canto dos olhos, delicadas, repetindo o mesmo padrão em alguns traços sutis nos braços.

Um mix de colares e joias de prata adornava seu pescoço, destacando o colar de sua mãe.

Ian engoliu em seco quando os olhos dele encontraram os olhos âmbar claros de Mia.

Ela parecia a porra de uma sereia.

Por alguns segundos, ele se sentiu hipnotizado.

Rapidamente desviou o olhar.

Mia se sentou em uma poltrona perto deles, esperando Kiara terminar de se arrumar.

— O palácio está com algum problema? — perguntou ela, olhando para Ian. — Ou você fica o dia inteiro aqui?

— Cala a boca, Mia — disse Lucca, jogando uma almofada na direção dela.

Ian permaneceu sério.

Aquele maldito cheiro de pêssego.

Lucca cruzou os braços.

— Quem foi o amigo que te convidou? Não vai me dizer que foi aquele desgraçado do Adrian Ravenor?

Mia sorriu.

— Então eu não digo.

Ian falou pela primeira vez desde que ela apareceu.

— Você sabe que metade das lobas da sua idade já esteve na cama dele, não sabe?

Mia arqueou uma sobrancelha.

— E isso nunca foi um problema para vocês dois, não é mesmo?

Lucca suspirou irritado.

— Mia, isso é sério. Você acabou de voltar. As pessoas que ficaram aqui mudaram. Não é mais como quando você foi embora.

Mia deu de ombros.

— Que exagero. Somos amigos.

Ela sorriu com naturalidade.

— E, para sua informação, mantivemos contato todo esse tempo.

Ela cruzou os braços.

— E, para lembrar vocês, ele é filho do Alpha da Matilha dos Olhos. Jamais se aproximaria de forma indevida de uma sem-lua… ainda mais com todos vendo.

Ian olhou para ela novamente.

Agora, vendo Mia daquela forma…

…ele duvidava daquela afirmação.

Até ele, que sempre teve como único objetivo se tornar um líder forte, naquele momento duvidava da própria capacidade de ficar perto dela sem perder o controle.

Era aquele maldito cheiro de pêssego.

Nesse momento, Kiara desceu as escadas.

Ela usava um vestido branco curto, que batia no meio da coxa. O decote era quadrado na frente e profundo nas costas, e o tecido leve se movia suavemente enquanto ela caminhava.

Seus cabelos ruivos longos emolduravam o rosto, e a maquiagem era leve, quase imperceptível.

Lucca ficou tenso ao vê-la.

Os olhos dele encontraram aquele par de olhos verdes.

Kiara desviou o olhar primeiro.

Então ouviram uma buzina do lado de fora.

— Vamos! — disse Mia, levantando-se rapidamente.

Kiara saiu logo atrás dela.

Do lado de fora, Adrian estava encostado no carro, esperando.

Quando viu Mia, sentiu o coração descompassar.

Ele sorriu.

— Você está maravilhosa.

Mia sorriu, um pouco tímida.

— Você também está ótimo.

E não estava mentindo.

Adrian Ravenor tinha uma presença difícil de ignorar.

Alto e de postura relaxada, ele se movia com a confiança silenciosa de alguém acostumado a observar antes de agir.

Sua pele tinha um tom marrom quente, contrastando com os olhos intensos — um castanho escuro profundo que parecia sempre analisar tudo ao redor.

Eram olhos atentos, característicos da Matilha dos Olhos, capazes de perceber pequenos detalhes que a maioria ignorava.

Adrian tinha ombros largos e um corpo atlético típico de um lobo treinado. Ainda assim, sua presença não era agressiva como a de muitos guerreiros da matilha.

Havia algo mais calmo e calculado nele.

Como um predador paciente.

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