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Capítulo 2 — De Volta ao Vale da Lua

Quando a velha kombi branca e verde-água, coberta por mandalas e flores pintadas à mão, apareceu na estrada em frente à casa dos Althea, Lucca não conseguiu conter o riso.

Aquilo era ainda mais hippie do que ele se lembrava.

Ian, por outro lado, não demonstrou reação alguma. Apenas precisou se conter para não revirar os olhos.

Pelo visto, a Mia que voltava era exatamente a mesma garota mimada e colorida que havia ido embora três anos antes, depois de fazer uma grande birra com o pai, dizendo que não suportava terminar o ensino médio no meio da alcateia sendo uma sem-lua.

Aos olhos de Ian, ela sempre conseguia o que queria com aquelas desculpas.

O pai cedia.

Lucca cedia.

Até a mãe e Theron — que todos conheciam por ser um homem reservado — pareciam se derreter por Mia.

Ian achava aquilo simplesmente insuportável.

A kombi parou em frente à casa.

Ian, porém, percebeu algo diferente no instante em que Mia saiu do carro.

A personalidade parecia a mesma, mas ela não era mais a garota que havia ido embora pouco antes de completar quinze anos.

Os três anos no mundo humano haviam transformado Mia em uma mulher.

Os cabelos estavam presos em uma trança boxeadora. Ela vestia uma calça indiana vinho com flores brancas e um top branco que deixava à mostra um abdômen definido.

Ian desviou o olhar rapidamente.

Mia, por sua vez, correu direto para o pai.

— Papai!

Ela envolveu o pescoço dele com os braços, apertando-o em um abraço forte.

Darian segurou os ombros da filha e a observou com atenção, como se examinasse uma criança que acabou de cair no parquinho.

— Você cresceu desde a última vez que te vi.

Ele ergueu uma sobrancelha.

— Como foi a viagem? Estávamos esperando você na semana passada. Seus dezoito anos deveriam ter sido comemorados com a sua matilha.

O tom era claramente reprovador.

Mia deu um meio sorriso.

— Bom, papai… se você não lembra, sua filha é vazia. Não faria diferença estar aqui ou não. Eu continuaria sendo uma sem-lua.

Antes que o clima pesasse mais, Luna Elowen se aproximou.

— Mia, querida!

Ela a envolveu em um abraço caloroso.

— Como você cresceu… e está linda. Por onde andou nesses dois últimos meses desde que terminou a escola?

Mia abriu um sorriso travesso.

— Eu e Kiara decidimos fazer um mini tour por onde a kombi aguentasse.

Ela apontou para o carro.

— E basicamente passamos os últimos dias no litoral.

Isso explicava o bronzeado perfeito, pensou Ian.

Ele imediatamente se repreendeu.

E por que eu estou pensando nisso?

Kiara se aproximou e cumprimentou os mais velhos.

— Obrigada por me receberem, tio.

Darian sorriu de leve.

— Imagina. Nos últimos três anos Mia foi tratada como filha na casa do seu pai. Agora é a nossa vez de retribuir.

Kiara então fez uma pequena reverência respeitosa diante de Elowen.

— Luna.

Elowen sorriu com carinho.

— Kiara, como você está linda. O que vocês duas andaram fazendo no mundo humano? Saíram daqui duas crianças e voltaram duas mulheres.

Mia e Kiara riram.

Lucca então se aproximou por trás da irmã e a abraçou forte, cheirando o topo da cabeça dela como um filhote brincalhão.

— Não fala mais com seu irmão?

— Eca! Para com isso, Lucca! — Mia protestou, rindo e tentando se soltar.

— Senti sua falta, pestinha.

Ela mostrou a língua para ele.

— Eu também senti a sua.

E dessa vez foi ela quem o abraçou.

— Olá, Mia.

Ian finalmente falou, com um leve aceno de cabeça.

— Olá, Ian.

Kiara cumprimentou Ian e Lucca da mesma forma.

Mas, ao ver Lucca novamente, sentiu o coração apertar por um instante.

Mesmo assim, fez uma promessa silenciosa a si mesma.

Não vou mais me importar com isso.

— Vamos entrar — chamou Elowen. — Fiz questão de preparar um almoço especial para vocês. Seu alfa deve estar chegando em breve.

Mia deu de ombros.

— Francamente, Luna, só voltamos pela sua comida. — riu. — Mas o rei Theron não precisa se preocupar. Sei que tem muitos compromissos.

Elowen sorriu.

— Ele não perderia seu retorno por nada.

Enquanto os outros entravam, Mia se virou.

— Lucca, você pode me ajudar a tirar algumas malas da kombi?

Ian também foi até o carro, em silêncio.

Quando abriram a porta traseira, Lucca arregalou os olhos.

A kombi estava lotada.

— Vocês sabem que essas coisas existem aqui também, né? — ele comentou, rindo. — Não precisavam trazer tudo.

Mia cruzou os braços.

— Quem disse que trouxemos tudo? Isso é só o básico. Mulheres precisam das suas coisas… você não entenderia.

Ela piscou.

— E por que eu traria tudo se pretendo voltar em breve?

Lucca ficou surpreso.

— Você pretende o quê?

— Fiz um acordo com o papai — disse Mia, tranquila. — Três anos lá, três anos aqui. Até eu completar vinte e um.

— Você não pode— começou Lucca.

— Shhh. — Mia o interrompeu. — Isso a gente vê depois. De qualquer forma, tenho que ficar doze luas cheias aqui agora, não tenho?

Ela sorriu.

— Vamos ver o que acontece esse ano.

— Você não pode simplesmente—

— Claro que posso. — Mia o cortou novamente. — Eu sou dona do meu destino.

Ela bateu a porta da kombi.

— Agora vamos entrar, porque a comida da Luna está cheirando daqui.

Ian, que ouvia a conversa enquanto tirava algumas malas do carro, balançou a cabeça.

Ele sabia que, assim que o prazo do portal terminasse, Mia provavelmente tentaria voltar para o mundo humano.

Mesmo tendo feito um acordo com o pai…

No fundo, ela continuava a mesma menina teimosa de sempre.

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