CAMILA NOGUEIRA
Desci pela escada de serviço, que dava direto na cozinha. A equipe do buffet estava ocupada montando as bandejas de salgados. Passei por eles de cabeça baixa, murmurando um "com licença" rápido. Ninguém olhou duas vezes para a mulher de boné e mochila.
Cheguei à porta dos fundos que dava para a lavanderia e, de lá, para o beco de serviço.
Minha mão tocou a maçaneta.
Não olhe para trás, Camila.
Girei a maçaneta e saí.
A chuva tinha apertado. A água gelada encharcou minha roupa em segundos, mas eu não me importei. Corri pelo beco de paralelepípedos até a rua de trás.
Lá estava ele.
Um Fiat Uno cinza, antigo, estacionado discretamente entre uma caçamba de lixo e um poste. Não era um Porsche. Nem era um SUV blindado. Mas era o carro mais lindo que eu já tinha visto.
Ajoelhei-me no chão molhado e tateei embaixo do para-lama dianteiro, perto do pneu. Meus dedos encontraram a caixinha magnética e puxei a chave.
Destravei o carro e entrei.
Joguei a mochila