CAMILA NOGUEIRA
A chuva fina que caía sobre São Paulo naquela manhã parecia lavar a fuligem da cidade, transformando o asfalto em um espelho cinzento e escorregadio. Dentro do SUV, o silêncio era absoluto, quebrado apenas pelo ritmo hipnótico dos limpadores de para-brisa.
Bruno dirigia com os olhos varrendo os espelhos retrovisores a cada cinco segundos. Eu estava no banco de trás, com as mãos pousadas sobre o colo, apertando a alça da minha pequena bolsa com força demais.
— A previsão é