ARTHUR VASCONCELOS
Eu estava no meu escritório particular, no térreo, com uma vista ampla para o jardim encharcado pela tempestade que caía sobre São Paulo. Em minha mão, um copo de Macallan 1926, um líquido âmbar que custava mais do que a dignidade da maioria dos homens que eu conhecia.
Girei o copo, observando o gelo derreter lentamente.
Tudo estava finalmente em ordem. A semana havia sido brutal no mercado financeiro, mas eu tinha saído por cima, como sempre. Esmaguei a concorrência na aquisição da mineradora, dobrei o conselho administrativo e garanti que as ações da Vasconcelos atingissem um pico histórico.
Mas não era o dinheiro que me trazia essa paz súbita. Era ela. Camila.
Olhei para o relógio de pêndulo no canto da sala.
17h00.
Pontualidade era uma virtude que eu exigia do universo. Bruno deveria estar ligando agora para avisar que estavam retornando. Eu já havia instruído a empregada a preparar o prato favorito dela. Talvez a levasse para a cama mais cedo e faria amo