Capítulo 63 (Soo-ah)

As paredes da solitária não tinham cor. Ou, se tinham, os anos e o mofo se encarregaram de apagá-la. O chão era úmido, o cheiro de ferro e sujeira impregnava no corpo, e a ausência de som era o pior tipo de barulho. Aqui dentro, o tempo não passava. Ele escorria lento, feito sangue de um ferimento aberto.

Eu me encolhia no canto, tentando conter o frio, tentando conter o medo. Mi-rae estava em coma. Esfaqueada. Quase morta. E, agora, as detentas mentiram dizendo que fui eu.

Claro que disseram.
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