O silêncio dentro do carro não era vazio.
Era carregado.
Daqueles que dizem mais do que qualquer conversa.
A cidade passava pela janela em luzes borradas, mas eu não estava olhando para fora.
Eu estava sentindo.
O jantar.
Os olhares.
As reações.
Lucas.
Tudo se encaixando.
Tudo ficando mais claro.
— Você provocou ele — Arthur disse, sem tirar os olhos da frente.
— Eu observei.
— Você expôs.
— Ele se expôs.
— Você sabe que isso muda tudo.
Inclinei levemente a cabeça.
— Já mudou.
Silêncio.
Arthur