Mundo ficciónIniciar sesiónBlair Jones sempre soube que Josh Foster seria seu maior desafio. Desde sempre, ele era quem conseguia derrubar todas as suas defesas com um sorriso sedutor, um olhar penetrante e a habilidade irritante de despertar desejos que ela nunca quis admitir. Com o tempo, o menino que fazia promessas no telhado se transformou no homem mais perigoso — e irresistível — do que ela poderia imaginar. Arrogante. Provocante. Irresistível. Josh Foster possui uma presença magnética que domina qualquer ambiente, e Blair odeia o quanto seu corpo ainda responde a ele. Durante seu último ano no colegial, ela se impôs apenas uma regra: manter distância. Mas quando são forçados a colaborar um projeto de fotografia, evitar Josh se torna impossível. Entre provocações picantes, silêncios carregados de tensão e uma proximidade que faz o ar crepitar, Blair percebe que odiar Josh sempre foi mais fácil do que confrontar a verdade, de que por trás de cada discussão, existe uma história cheia de paixão. Por trás de cada toque, existe uma memória ardente. E por trás de cada olhar… existe um desejo que nenhum dos dois conseguiu suprimir. Enquanto Trevor Milles surge como a personificação de tudo que Josh não é — seguro, gentil, previsível — Blair tenta convencer a si mesma de que seguir em frente é possível. Mas algumas pessoas se tornam uma obsessão inevitável. Se tornam vício. Entre segredos sussurros, promessas quebradas e sentimentos intensos e perigosos, Blair e Josh descobrem que a linha entre amor e destruição é fina como uma lâmina. E que algumas paixões não foram feitas para serem esquecidas… foram feitas para consumir.
Leer másHonesdale, Pensilvânia — Cinco anos depois.
Blair limpava o balcão da cafeteria como se estivesse tentando limpar as próprias memórias. Não conseguia entender como sua vida havia acabado ali, bem longe dos sonhos de se tornar uma artista, longe do colegial e, por mais que não quisesse admitir que fazia alguma diferença, longe de Josh. Josh… aquele nome fazia cada músculo do seu corpo enrijecer. As lembranças começaram a invadir sua mente sem pedir permissão. Lembranças das promessas que haviam feito um para o outro, dos momentos que passaram juntos durante todos aqueles anos e, por mais que tentasse reprimir, lembranças dele, de suas mãos passeando pelo seu corpo, dos seus lábios colados nos dela, de cada toque, cada sensação que seu corpo tentava, mas não conseguia esquecer. Ela sacudiu a cabeça, tentando dispersar aqueles malditos pensamentos que insistiam em voltar. Ela se xingava mentalmente por ainda se abalar com aquilo; Afinal, ele provavelmente estaria se preparando para o casamento a essa altura. O sino da porta tocou, a tirando de seu transe. — Não estamos mais atendendo hoje. — falou de costas para a porta, terminando de guardar mais algumas xícaras. — Nem um velho amigo? — Blair sentiu cada centímetro do seu corpo arrepiar ao escutar aquela voz. Não podia ser. Ela se virou, rezando para estar enganada. — Mas o que… — Oi, baixinha. Blair tentava entender como aquilo estava acontecendo. Josh estava em pé ali, a poucos metros dela. Seus cabelos quase loiros agora estavam desgrenhados graças ao vento frio lá de fora. Sua voz carregava um misto de melancolia e tristeza, mas seu olhar era doce, quase como um abraço que Blair tanto ansiava. Mas não podia, não podia se deixar levar de novo — não agora que havia conseguido finalmente se reerguer. — O que você tá fazendo aqui? — perguntou, tentando soar normal. — Achei que ficaria minimamente feliz em me ver depois de tanto tempo. — ele tentou brincar, mas Blair cruzou os braços, impaciente. — Certo, certo. — ele levantou as mãos em rendição, logo tirando uma caixinha azul-esverdeada do bolso do casaco. — Feliz aniversário. — Meu aniversário é só semana que vem, e não lembro de ter te convidado. — respondeu friamente, terminando de guardar as coisas. — Essa doeu. — ele colocou a mão sobre o peito. — É? Por quê? Não me lembro de você se incomodar em aparecer nos últimos quatro. Ou há quatro anos, como disse que faria. — Ela praticamente cuspiu as palavras, evitando o olhar dele, como se aquilo pudesse feri-la. Pegou sua bolsa e passou por ele rumo à porta. — Blair… — ele engoliu em seco, segurando seu pulso, a fazendo finalmente encará-lo. Seus olhos azuis brilhavam enquanto ele tentava controlar a voz trêmula. — Eu… eu sinto muito. Eu vim justamente por isso… eu precisava te ver e conversar. — Por que agora, Josh? Por que justamente um dia antes do seu casamento? Por que parece que, mais uma vez, você está tentando fugir das responsabilidades? — ela puxou o braço, se desvencilhando dele. — Porque eu percebi que ia cometer o maior erro da minha vida. — ele se aproximou dela. — Porque, mesmo que eu perca tudo, eu nunca conseguiria me perdoar por casar com alguém que não é você. — Ele passou os dedos de leve pela bochecha da ruiva. Seus olhos, agora quase cinza, estavam fixos nos dela, como se pedissem permissão para algo proibido. Seus corpos estavam tão próximos que Blair podia sentir o calor dele, sentir seu cheiro — aquele cheiro familiar que ela tanto havia lutado para esquecer. — Josh… Os olhos dele agora estavam fixos nos lábios dela, e ele diminuía a distância entre seus corpos lentamente, como se tivesse medo de que, se fosse rápido demais, daria chance para ambos pensarem. Só Deus sabia como aquilo já tinha se passado mil vezes pela cabeça de Blair, mas só ali, prestes a acontecer, ela conseguiu ver o quanto ele a havia machucado. Ela abaixou a cabeça, retirando lentamente a mão dele de seu rosto. — Você chegou tarde demais. — ela deixou uma lágrima escorrer, fitando os olhos azuis dele, também marejados. — Eu sei. Mas eu tinha que tentar… — ele engoliu em seco, tentando evitar que aquela maldita lágrima caísse. — …eu espero que pelo menos fique com isso. — ele pegou delicadamente a palma dela, depositando a caixinha de presente ali. — Obrigada. — ela segurou a caixinha por um instante, analisando o quão bonita ela era, mas a colocou rapidamente na bolsa, como se não quisesse aceitar o quanto aquilo tudo havia mexido com ela. — Boa noite, Josh. — ela abriu a porta da cafeteria, indicando a saída. O brilho no olhar dele se desfez, e ele atravessou a porta derrotado. — Então é isso… — ele tentava desesperadamente preencher o silêncio desconfortável enquanto a ruiva trancava a porta da cafeteria. A noite estava fria, quase tão fria quanto Blair se esforçava para se manter. Os flocos de neve começavam a cair, rodopiando ao vento. Josh ficou ali, quase hipnotizado. Por um momento, parecia que nada tinha mudado: o velho carvalho continuava de pé mesmo depois de tantos anos, e o velho banco de madeira, corroído pelo tempo, ainda carregava memórias de como eles foram felizes naquela cidadezinha, e o gazebo do parque… esse guardava todos os segredos que eles partilhavam e até os que Josh nem sonhava que existiam. — Josh? — Blair o arrancou de seu transe. — Oi? — ele perguntou, desnorteado. — Você tem pra onde ir esta noite? — Eu vou dar um jeito, não precisa se preocupar. — ele coçou a nuca, se xingando mentalmente por não ter previsto que ela diria qualquer coisa além de um sim para ele. Mas agora estava sem opções, sem a garota e totalmente sem planos. — Será que a velha pousada da cidade ainda funciona? — É final de ano, Josh… — Com certeza tudo deveria estar lotado ou fechado. Josh se xingou novamente por não ter pensado nisso. Blair suspirou pesadamente, sabendo que provavelmente iria se culpar pelo que estava prestes a dizer… — Pode ficar com a gente esta noite, se quiser. — Não precisa, Blair, eu não quero piorar as coisas para você. — Jane vai me matar se eu deixar o irmão da minha melhor amiga congelar na neve. — Ambos riram porque eles sabiam o quanto aquilo era verdade — Não se preocupa, é só esta noite. Amanhã cedo eu mesma te chuto de lá. — Carinhosa como sempre. — eles riram. — Tudo bem, então. Ambos caminharam silenciosamente, como se qualquer palavra pudesse destruir aquele breve momento de trégua entre eles. Cada rua, cada lugar trazia uma lembrança diferente de momentos que viveram juntos naquela mesma cidade. Lembranças de crescerem juntos, lembranças de um amor que doía demais para relembrar. E, como se o tempo não tivesse passado, ali estava ela: a casa onde os dois moraram juntos por tantos anos. Ao pararem em frente à casa, Josh fitou apenas um lugar específico, o único que importava … o telhado. Ele fechou os olhos, lembrando do quanto aquele lugar era especial para os dois, lembrando de segurá-la em seus braços ali, do gosto dos seus lábios nos dele, de sentir sua pele quente, seu toque… — Mamãe! Mamãe! Josh foi arrancado de seus pensamentos por uma garotinha ruiva, vestida de princesa, saindo pela porta em direção a eles, gritando como se fosse explodir. — Filha! — a voz de Blair parecia um misto de surpresa e constrangimento. — Achei que já estava na cama a essa hora. Josh observava tudo com um sorriso no rosto, tentando disfarçar o quanto estava quebrado por dentro. É isso. Blair tinha seguido em frente, formado uma família… sem ele. Aquilo doía mais do que conseguia admitir. — A tia Jane falou que eu podia espelar você chegar. A figura ruiva, que agora estava no colo de Blair, olhava curiosamente para Josh com seus lindos e grandes olhos azuis brilhando. Um calor tomou conta do peito de Josh ao ver aqueles olhos sorrirem para ele com uma doçura que ele só havia visto uma vez… em Blair. — Meu Deus, eu não sabia que tinha uma princesa na cidade! Por que não me contou, Blair? Eu devia ter trazido um presente! — ele falou, fingindo indignação, fazendo a pequena gargalhar. — Qual seu nome, princesa? — Cassie. — a pequena respondeu, bocejando. — Eu nunca tinha conhecido uma princesa de verdade — Disse ele abrindo um sorriso e logo fingindo se curvar. — É uma honra alteza. Blair não pôde evitar sorrir ao ver a pequena conversar animadamente com Josh. Mas um lapso de memória atravessou sua mente e seu rosto endureceu. — Alguém já devia estar na cama. Vamos para dentro. — Ela disse se voltando para a porta com Cassie no colo. Ao entrarem, o calor da lareira logo os envolveu. Tudo estava exatamente como Josh se lembrava, exceto, é claro, pelos brinquedos espalhados pela casa. — Jane! Eu trouxe uma surpresa para você! — Blair gritou à procura da amiga. Jane surgiu da cozinha com uma torta em mãos, torta essa que foi parar no chão quando seus olhos avistaram Josh. — Josh! — a morena abraçou o irmão com força, e ele a levantou como sempre faziam quando eram pequenos. — Que saudade da irmã mais chata do mundo! — Josh brincou, colocando-a no chão. — Mas o que você tá fazendo aqui, assim, do nada? E o casamento?! — Jane disparou, curiosa como sempre. — Vou pôr a Cassie na cama e deixar vocês conversarem. — Blair cortou a conversa antes que pudesse ouvir algo que a fizesse se arrepender de ter convidado Josh. — Dá boa-noite para a tia Jane e para o Josh, Cassie. A pequena correu para os braços de Jane, dando um beijo estalado em sua bochecha, logo fazendo o mesmo com Josh, o que fez o coração do moreno quase derreter. — Dorme bem, princesa. — Josh deu um tchauzinho, e a pequena retribuiu sorridente. Alguns minutos se passaram. Josh e Jane conversavam animadamente no andar de baixo, e Cassie finalmente havia pegado no sono depois de três histórias e uma canção de ninar. Blair sentiu o cansaço do dia pesar sobre seu corpo enquanto descia as escadas. Na sala, o burburinho das conversas havia parado, e ela avistou Josh sozinho, fitando a lareira. Seu corpo gelou. E se Jane tivesse contado? E se ele tivesse feito as contas e descoberto? Seu coração parecia querer sair pela boca, até que ele notou sua presença e esboçou um leve sorriso — doce o suficiente para aquecer seu coração e acalmar sua mente. — Ela dormiu? — ele perguntou. — Finalmente. — Blair suspirou, desabando no sofá ao lado de Josh. Sua pele fria encostou na dele, e ele, instintivamente, puxou a coberta do sofá, passando-a pelos ombros da ruiva com cuidado. — Obrigada. Eles ficaram ali, em silêncio, diante da lareira, apenas apreciando o momento — o calor, a proximidade, as memórias. — Ela parece ser incrível. — Josh falou, fitando o fogo, quase melancólico. — Ela é. — Blair sorriu, orgulhosa. — Jane disse que você cria ela sozinha… — Ele soltou, fazendo o corpo da ruiva enrijecer. — Jane e meu irmão sempre me ajudaram, não posso levar o crédito sozinha. — esquivou-se. — Mas e o pai dela? — Josh fez a pergunta que ela tanto temia, fazendo-a congelar.O baile era daqui a dois dias. Tempo suficiente para quem havia planejado com antecedência e insuficiente pra quem havia deixado tudo em segundo plano porque havia outras coisas mais urgentes acontecendo, como o fim de um relacionamento, o projeto de fotografia, o comitê de preparação do baile e um ex namorado em quem ela tentava não pensar. Blair estava no segundo grupo. Assim como, aparentemente, Josh, Nick e Liam, porque quando Alexa mandou mensagem no grupo às dez da manhã de sábado dizendo “shopping, hoje, sem desculpa”, as três respostas masculinas que vieram foram versões diferentes de “eu esqueci que isso existia”. A solução havia sido de Alexa, naturalmente. Porque toda decisão de consequências imprevisíveis naquele grupo começava com Alexa e uma frase que parecia inofensiva. — Vai ser mais eficiente assim — ela havia dito no estacionamento do shopping, com o tom de quem estava propondo uma solução logística e não uma armadilha social cuidadosamente montada. — A g
A mensagem era pequena demais pro que estava carregando. “Blair: Você tem as fotos todas no cartão ainda?” Blair ficou olhando pra tela depois de mandar. O quarto estava silencioso além do barulho abafado da televisão lá embaixo — Liam e algum jogo. A porta do corredor estava aberta porque o quarto esquentava à noite. “Josh: Tenho. Por quê?” Ela olhou pra própria câmera, que estava em cima da escrivaninha onde havia ficado os últimos dias. Havia fotos no cartão que não estavam no arquivo que mandaram pro sr. Andrews. Fotos que ela tinha descartado antes de sequer rever com cuidado, porque descartar parecia mais seguro do que ver. “Blair: Quero ver as suas também. As que você não colocou na pasta.” Silêncio. “Josh: Ok.” Blair colocou o celular de lado, foi até a escrivaninha, pegou a câmera. Verificou a bateria por hábito. Ficou esperando. Os passos no corredor ela reconheceu antes de levantar os olhos. Josh apareceu na porta aberta sem camisa, a câmera na mão. Os c
A luz saía pela fresta de baixo — ele ainda estava acordado, ou tinha esquecido de apagar antes de dormir, ela não sabia. A mão levantou antes que ela decidisse levantá-la. Bateu uma vez… duas. Levemente. Do tipo que dá pra fingir que não ouviu. Mas a porta abriu. Josh estava de camiseta e calça de moletom, o cabelo bagunçado, o lábio levemente inchado do lado esquerdo. Ele a olhou por um segundo sem dizer nada, como se precisasse confirmar que era real. — Blair. A voz saiu baixa. Sem ironia. Só o nome. Aquilo já tornou tudo mais difícil do que ela tinha planejado. — Eu precisava... — ela começou, e então parou, porque a frase que tinha ensaiado no telhado não existia mais agora que ele estava na frente dela com aquele olhar. Ela tentou de novo. — Aquilo foi por minha culpa... — as palavras saíram mais secas do que pretendia. — ...não sua. Josh ficou quieto. — Eu… eu só — ela pressionou os dentes por um segundo — queria me desculpar, pelo que aconteceu. O silêncio qu
O telhado estava frio demais para essa época do ano. Blair sabia disso antes de subir. Sabia e subiu mesmo assim, porque o frio externo era mais fácil de aguentar do que qualquer coisa que estava acontecendo dentro daquela casa. Ela ficou sentada com os joelhos puxados para o peito, os braços envolvendo as próprias pernas, olhando pro trecho de rua que estava vazio agora. O carro do Trevor tinha ido há quanto tempo? Dez minutos. Talvez quinze. Parecia mais. A cidade lá embaixo continuava no ritmo de sempre — postes acesos, uma ou outra janela iluminada, o barulho distante de carro passando pela rua de cima. Tudo completamente indiferente ao fato de que ela tinha conseguido destruir duas coisas ao mesmo tempo numa noite só. Blair fechou os olhos. Não adiantou. O barulho da escotilha a fez levantar os olhos antes de conseguir preparar o rosto. O trinco rangeu, a tampa levantou com aquele chiado horrível de sempre, e a cabeça de Liam apareceu pelo vão com uma expressão que tentava





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