Sabrina Duran
O brilho das luzes de LED neon, ainda em modo de teste, cortava a penumbra da boate como facas elétricas de cor magenta. O cheiro do lugar antes de abrir era uma mistura de desinfetante cítrico, madeira encerada e aquele rastro fantasmagórico de perfume caro que parecia nunca abandonar os estofados de veludo. Era o meu reino. O lugar onde eu mandava, desmando e onde ninguém ousava me olhar atravessado.
Mas hoje, o cetro estava pesado.
Eu estava debruçada sobre o balcão de mármore