O carro deslizou pela avenida à beira-mar enquanto Henrique tamborilava os dedos no joelho. Olhava pela janela, mas não via nada.
Já tinha ido a dezenas de eventos como aquele, em salões suntuosos, com paredes de mármore e taças de cristal, onde a vaidade se confundia com formalidade.
Tudo ali era sempre igual — frio, previsível, cansativo.
Mas aquela noite não era uma noite qualquer.
Ele ajeitou o relógio no pulso, alisou a calça social e soltou o ar devagar.
Um calor subiu pelo r