Eu o vi pela primeira vez no saguão do Instituto. Ele estava encostado na parede, como quem não precisa pedir permissão para ocupar espaço. Rafael. O nome veio depois. O impacto, antes.
Ele me olhou como quem já sabia quem eu era. E eu, que sempre fui feita de certezas, senti tudo escorregar. O chão, o tempo, a lógica.
— Você é Clara — ele disse, sem perguntar.
— E você é atrevido — eu respondi, tentando manter o controle.
Ele sorriu. Um sorriso que não pedia desculpas.
— Só com quem m