Troquei de roupa em casa. Calça preta. Blusa simples. Um casaco que escondia os punhos gastos. Cabelo preso. Brincos pequenos. Sem perfume. Eu queria parecer firme. Não rica. Não assustada. Definitivamente, não assustada. Mas estava. E nem sequer tinha dado uma resposta ao Daniel — então por que eu estava tão ansiosa? Aquele homem tagarela tinha um jeito de me incomodar…
Diogo observava do sofá.
— Vai sair? — perguntou.
— É só um café — respondi. — Nada demais.
— Muito bem, mãe! Bom ver você vivendo um pouco.
— Obrigada. Não me espere acordado.
— E cuidado com os rapazes! Você sabe que eles só pensam em uma coisa...
Mostrei a língua para o Diogo.
Fui de ônibus. Não apareceria com o carro do Daniel. Não teria como explicar. O ar da noite gelava meu rosto enquanto eu caminhava pela rua. Escolhi um café perto da estação. Luzes fortes. Janelas. Gente. Um lugar para conversas normais. Tudo normal, certo?
Valentine se levantou quando me viu, um sorriso cauteloso no rosto.
— Carla — di