Quando ele disse que tinha uma proposta, prendi a respiração. Eu sabia que não ia gostar. E sabia que minha vida estava prestes a ficar um pouco mais difícil. É isso que acontece quando se dança com o diabo. E lá estava ele — o diabo — com a mão estendida, num convite irresistível.
Ele se apoiou em um piano, os dedos tamborilando na tampa. A sala estava silenciosa, exceto pelo tique-taque de algum relógio escondido.
— Vi como você lidou com aquele policial, o Valentine — disse ele.
— Você viu?? Como é que…?
— Você foi rápida. Afiada. Virou a situação completamente, como uma profissional. O homem nem entendeu o que aconteceu. — Daniel riu um pouco. Parecia até sentir inveja de não ter presenciado.
— Eu… entrei em pânico.
— Não, não, não. Você atuou. — Agora ele sorria abertamente. — Uma atuação digna de prêmio, se quer saber. E você mentiu. Com naturalidade. Nem piscou. Mentiu para a polícia.
Cruzei os braços.
— Eu não menti, eu… omiti. Não contei toda a verdade. E isso foi muito