Ethan
Acordei antes do despertador.
O celular ainda estava na minha mão, a tela apagada, mas a última imagem que eu vi antes de dormir continuava presa na minha cabeça:
Hanna adormecendo aos poucos, a respiração suave, o rosto marcado por lágrimas que ela tentou esconder de mim.
Eu passei boa parte da noite com medo de que ela acordasse e eu não estivesse ali.
Com medo de ela pensar que estava sozinha de novo.
Com medo de não ser o suficiente para segurar um coração que já tinha sido quebrado.
A distância era uma merda.
Ponto.
Eu tentava fingir que era forte, que sabia lidar com longas viagens, fusos horários, rotinas diferentes. Sempre lidei.
Sempre soube separar trabalho de vida pessoal.
Sempre mantive tudo em compartimentos perfeitos.
Então por que caralho uma mulher de voz suave, olhar firme e sorriso torto conseguia derrubar todas as minhas defesas?
Eu não sabia.
E era exatamente isso que me assustava.
Mas não era um medo ruim.
Era um medo que parecia… vida.
Como