Hanna
A tarde está ensolarada, mas há um frio constante no meu peito — daquele tipo que não importa a temperatura, nunca vai embora.
E, mesmo assim, estou feliz.
Quase flutuando.
Ethan caminha ao meu lado, segurando minha mão como se tivesse medo de me perder de vista. O polegar dele faz círculos lentos na minha pele, e aquilo sozinho já me desmonta.
— Parece que estou sonhando — murmuro.
Ele me olha por cima dos óculos escuros, com aquele sorriso que bagunça tudo dentro de mim.
— Pode tocar pra conferir. Eu sou real.
— E é isso que eu tô fazendo — respondo, apertando a mão dele.
Ele ri, aquele riso baixo que arrepia minha espinha.
No restaurante, ele puxa minha cadeira antes de se sentar — um gesto pequeno, mas que sempre me pega desprevenida.
O garçom mal se afasta, e Ethan já me encara como se tivesse esperado dois meses por isso.
— Que foi? — pergunto, rindo.
— Nada. — Ele passa o dedo pela minha mão devagar. — Eu só… tinha esquecido como você fica bonita na luz do dia.
Meu rosto