Porter
Eu pratico o sorriso no retrovisor antes de tocar a campainha.
Relaxo a postura. Ombros abertos. Expressão calma. O marido perfeito.
A campainha ecoa, e três segundos depois a porta se escancara.
— Porter! — A mãe de Hanna diz, surpresa, mas feliz. — Meu Deus, quanto tempo! Entra!
Entro como se nada tivesse mudado.
Como se a minha vida não estivesse desmoronando pelas mãos de uma garota que tomou decisões precipitadas e influenciada pela pessoa errada.
Como se eu ainda pertencesse àquele lugar.
— Senti falta de vocês — digo, com o tom exato de saudade doce.
Ela abre espaço, mas o olhar dela demora meio segundo a mais no meu rosto.
Um detalhe mínimo, mas eu percebo tudo.
Talvez ela tenha ouvido algo.
Talvez esteja começando a juntar as peças.
Não importa.
Eu controlo a narrativa.
— Sabrina está aí? — pergunto, casual.
A resposta vem antes da mãe abrir a boca.
— Tô aqui. — Sabrina aparece no corredor com os braços cruzados.
Aí está a insolência.
— Sabrina — digo, sorrindo. — Semp