Ana
Eu reli aquele e-mail umas cinco vezes antes de conseguir respirar direito. Minha própria sala. Minha mesa. Meu crachá. Meu canto. Eu tinha conseguido. Eu, a garota que vivia tropeçando na vida. Eu, que nunca tinha tido nada fixo. Agora tinha até sala.
Meu sorriso veio automático, enorme, daqueles que doem o rosto.
Mas durou… sei lá… dois segundos.
Porque aí meus olhos bateram de novo na parte que eu já tava tentando esquecer:
A empresa ficava em outra cidade.
Outra.
Cidade.
E pronto.
Meu estômago caiu.
Minha alma caiu.
Até meu sorriso caiu sozinho, sem eu mandar.
De todas as coisas que eu esperava que pudessem complicar minha vida… essa eu não vi chegando. Nem de longe.
Eu fechei o e-mail na mesma hora, como se fosse algum tipo de bomba que ia explodir se eu encarasse por mais um segundo. E eu fiquei ali sentada, paralisada, sentindo o ar sumir um pouquinho.
“Outra cidade.”
As palavras repetiam na minha cabeça como um eco irritante.
Se eu fosse…
Eu e o Lex íamos ficar sepa