Mundo ficciónIniciar sesiónA Anna Ricci é a protagonista que a gente ama. Ela só queria um emprego na empresa de beleza dos Fernandez, mas acabou entrando no meio de um furacão. E que furacão! De um lado, tem o Rafael. O cara é o sonho, sabe? Lindo, carismático, sorridente, te faz sentir a única no mundo. Ele é a escolha fácil, a luz no fim do túnel. Mas aí tem o Raul. Ai, o Raul... Ele é o oposto. O poder silencioso, o controle absoluto, o bad boy que não precisa de jaqueta de couro. Ele é frio, intenso e perigosamente atraente. É ele quem desestabiliza a Anna, quem faz a pele dela queimar só com um olhar. É a química que não dá para ignorar. O problema é que o Raul é o proibido com P maiúsculo. Ele está preso a uma situação super triste: a namorada dele, Dara, está doente, lutando contra um câncer. E ele, por lealdade e culpa, se recusa a deixá-la. Dá para sentir a dor dele em cada página, a luta interna entre o dever e o desejo avassalador que ele sente pela Anna. A Anna fica no meio desse triângulo amoroso impossível. Ela tenta se convencer de que o Rafael é o certo, mas o Raul... o Raul é a tentação que ela não consegue evitar. Cada encontro, cada silêncio, cada escolha deles é carregada de tensão. É aquele tipo de romance que te deixa roendo as unhas, torcendo pelo casal que não pode ficar junto. Essa história não é sobre contos de fadas. É sobre a vida real, onde o amor é complicado, onde a gente tem que fazer escolhas que doem e onde o desejo não segue regras.
Leer másOnze horas da noite
Mansão Fernandez
A mansão Fernandez sempre pareceu grande demais quando estava vazia.
À noite, então, ela se transformava em um labirinto silencioso, feito de sombras longas, luzes amareladas e memórias que insistiam em não me deixar em paz.Caminho pelos corredores amplos com passos lentos, sentindo o peso do silêncio pressionar meus ouvidos. Apenas o som distante de música quebra a quietude — abafado, insistente, vindo do andar de cima. Uma melodia animada demais para o estado em que me encontro.
Desde que Dara me contou sobre o câncer, tudo em mim parece viver em estado de alerta. Como se o corpo estivesse sempre esperando a próxima notícia ruim. A próxima queda.
A angústia aperta meu peito de forma constante, sufocante. Não é um sentimento explosivo. É pior do que isso. É um nó firme, que não cede, que me acompanha a cada respiração. Meus ombros estão rígidos, tensos, e uma fisgada incômoda se espalha pelo pescoço — lembrança clara de noites mal dormidas e pensamentos que nunca se calam.
Subo as escadas tentando ignorar o barulho sob meus pés, mas o ranger da madeira ecoa alto demais. Cada degrau parece uma acusação silenciosa. Um lembrete de tudo o que está fora do lugar.
Quando alcanço o topo, paro.
A porta do quarto de Rafael está entreaberta.
E, mesmo antes de ver, eu sei.
Meu irmão está lá dentro, recostado na cama, completamente à vontade. Um sorriso preguiçoso no rosto, o corpo relaxado como se não houvesse nada no mundo que exigisse responsabilidade. Uma jovem mulher está com ele. Rindo. Se movimentando com leveza. Como se aquela fosse apenas mais uma noite comum.
A luz suave do abajur recorta os corpos, cria sombras íntimas, desenha cumplicidade onde deveria existir limites.
Fico parado, observando.
A beleza dela é inegável. Jovem, fresca, inconsciente do papel que ocupa naquela casa. Mas meu desprezo é maior que qualquer admiração que eu poderia sentir.
Rafael sempre foi assim. Sempre teve o dom de conquistar pessoas com facilidade absurda. Encanta, envolve, promete sem prometer — e depois segue em frente como se nada tivesse importância real.
Ele não percebe. Ou talvez perceba e simplesmente não se importe.
A superficialidade com que vive é o que mais me revolta. Relações vazias. Compromissos frouxos. Consequências ignoradas.
Minhas mãos se fecham em punho quando a vejo se inclinar para beijá-lo. Meu estômago se revira, pesado, como se eu tivesse engolido algo impossível de digerir.
É impossível não lembrar dos valores que nosso pai tentou nos ensinar. Responsabilidade. Família. Respeito. Tudo o que Rafael parece ter jogado fora com o tempo.
A música continua tocando, irônica demais para aquela cena. Uma trilha sonora perfeita para o descaso.
Dou um último olhar antes de me afastar. Não digo nada. Não bato à porta. Não confronto.
Às vezes, fugir é a única forma de não explodir.
Sigo até minha suíte com passos duros, sentindo o peso daquela imagem me acompanhar. O banho quente não consegue lavar a inquietação da minha pele. A água escorre, mas o incômodo permanece, grudado em mim como uma segunda camada.
Depois, sigo pelo corredor até o quarto de Santiago.
Meu sobrinho dorme tranquilamente, alheio a tudo. Um garotão de dois anos, pequeno demais para entender o caos que o cerca. Aproximo-me devagar, observando o movimento calmo do seu peito, os cílios longos repousando sobre as bochechas rosadas.
Ele parece uma ilha de pureza em meio ao naufrágio que se tornou nossa família.
Santiago não é fruto de amor. É resultado de uma noite que Rafael preferiu esquecer. A mãe, uma dançarina, nunca foi parte da vida dele de verdade. Às vezes, ainda me surpreende o fato de meu irmão ter assumido o mínimo de responsabilidade.
Não é do feitio dele permanecer onde há compromisso.
Mesmo assim, ali está o menino. Dormindo. Intacto. Sereno.
Ele é um lembrete cruel de que, apesar de tudo, algo bom pode surgir até dos erros mais inconsequentes. Uma luz frágil, mas real.
Inclino-me e beijo sua testa com cuidado, fechando os olhos por um breve instante, tentando absorver aquela calma.
Eu vou cuidar de você, prometo em silêncio — mesmo sabendo que promessas feitas em tempos difíceis carregam um peso quase insuportável.
Desço até a cozinha em busca de silêncio.
O cheiro de café velho ainda paira no ar, misturado ao aroma amadeirado da casa antiga. A luz fraca da luminária projeta sombras irregulares nas paredes, criando um contraste desconfortável com o vazio dentro de mim.
Encho um copo d’água. Minhas mãos estão levemente trêmulas quando me sento à mesa, o olhar perdido em pensamentos que insistem em voltar.
As palavras de Dara ecoam na minha mente, frágeis como vidro prestes a se quebrar.
Não me abandone, Raul.
O perfume dela — lírios suaves — ainda parece impregnado na minha roupa. Um lembrete constante do que está em jogo. Do quanto tudo pode ruir com uma escolha errada.
Ouço passos leves no chão de mármore.
Meu corpo reage antes da mente. Ergo o olhar, tenso.
É ela.
A jovem do quarto de Rafael.
Está seminua, vestindo apenas uma camisa larga — dele — que mal cobre as coxas. O cabelo bagunçado, o jeito despreocupado. A curva do pescoço iluminada pela luz suave da cozinha chama atenção mais do que deveria.
Não por desejo.
Mas pela afronta silenciosa que representa.
Ela para ao me ver, surpresa. Por um segundo, o mundo parece suspenso.
E eu tenho certeza de uma coisa:
essa casa está à beira do colapso. E, goste eu ou não… alguém vai ter que segurar tudo sozinho.Terça-feira, amanhecerAnnaAcordo com a luz suave invadindo o quarto em faixas douradas. Raul ainda dorme, deitado de lado, com o braço estendido na minha direção, como se me procurasse até nos sonhos. Meu peito aperta — daquela forma estranha de quando algo bonito acontece em meio ao caos.Me levanto com cuidado. O roupão ainda tem o perfume do meu pai. Misturado ao de café da manhã de ontem. Misturado ao toque de Raul.O tempo parece flutuar. Tudo dentro de mim ainda dói, mas há uma nova clareza no fundo do peito. Algo que pulsa. Que pede movimento.Volto ao quarto com duas xícaras de café. Raul já está acordado, sentado à beira da cama, mexendo no celular. Ele sorri quando me vê — e é aquele sorriso calmo, sereno, que ele só usou comigo ontem.— Bom dia — ele diz, com a voz rouca de sono. — Dormiu bem?— O suficiente. — Estendo a xícara. — Fiz café... e tomei coragem.— Coragem? — ele pergunta, franzindo a testa.— Para voltar. — Respiro fundo. — Hoje vou com você. Quero trabalhar
AnnaAcordo antes do sol nascer completamente. A claridade suave entra pela fresta da cortina, dourando o quarto com um tom calmo, quase triste. O silêncio é diferente de ontem. Ainda dói..., mas é menos áspero.Me viro devagar. Raul ainda está ao meu lado.Dormindo.O braço dele repousa sobre minha cintura, como uma promessa silenciosa de que está aqui. Que ficou. O rosto sereno, os traços relaxados. Tão diferente do homem tenso de dias atrás.Observo por alguns minutos, sem pressa.Meu corpo ainda carrega o toque dele e meu coração pulsa com algo que não é só luto.É cuidado.É esperança.Me mexo um pouco, tentando não o acordar. Mas ele sente. Os olhos abrem devagar, sonolentos.— Já é manhã? — ele murmura, a voz rouca.— Já. — Respondo, passando os dedos devagar pelos cabelos bagunçados dele. — Você vai trabalhar hoje?Ele esfrega os olhos, respira fundo e me olha por um instante. Um daqueles olhares que dizem mais do que qualquer palavra. Carrega tudo: o que vivemos ontem, o que
Domingo, fim de noiteRaulO domingo escorre pelas paredes da casa em forma de silêncio.Depois que deixei o apartamento de Dara, não fui para lugar nenhum. Voltei para casa. Tirei os sapatos no corredor, joguei as chaves no móvel da entrada e apenas… me sentei.Fiquei ali. Por horas.Com os braços apoiados nos joelhos e os olhos presos num ponto qualquer da parede. Sem som. Sem celular. Sem distrações. Só o peso daquilo que terminei, do que deixei, do que ainda está por vir.A dor de Dara ainda está aqui, alojada num canto de mim que sei que vai demorar a se curar. Eu a decepcionei. A abandonei no pior momento. Não tem palavra que alivie isso.Mas também sei que, se eu continuasse, eu a machucaria mais. Porque já não era amor. Já não era inteiro.Fecho os olhos. Penso nela. No lenço azul na cabeça. No sorriso que esconde a exaustão. Na força que ela carrega mesmo quando se sente frágil. E penso… que mulher. Que coragem.Mas não é a imagem dela que me acompanha quando me deito no sofá
RafaelO som da porta se fechando ainda ecoa na minha mente quando estaciono o carro na garagem da casa. Tudo está em silêncio, mas o silêncio aqui não é paz. É peso. Um eco constante de tudo que deixei de fazer.Subo para o quarto como quem carrega uma mochila cheia de pedras. Me jogo na cama sem tirar os sapatos. O quarto ainda tem o cheiro da noite anterior — o amargor do álcool, o suor seco na camiseta, a vergonha impregnada no travesseiro.Olho para o teto por longos minutos. Mas o rosto que vejo... é o dela.Anna.E então, sem conseguir segurar, pego o celular.Abro a conversa com ela.A última mensagem dela é de dias atrás. Curta. Educada. Sem nenhuma pontuação exagerada. O tipo de mensagem que diz muito pelo que não está ali.Começo a digitar.Anna, eu não tenho desculpa para o que aconteceu. Eu deveria ter atendido. Eu deveria ter estado lá.Paro. Leio.Apago.Começo de novo.Eu sou um idiota. E você merece mais do que isso. Mais do que um cara que some quando você mais preci
RaulA porta se fecha atrás de mim com um clique seco. O som ressoa dentro do peito como um lembrete incômodo: eu cruzei uma linha. Respiro fundo e deslizo a mão pelos cabelos, tentando organizar os pensamentos enquanto caminho lentamente até o portão. O céu está acinzentado. A rua, silenciosa. Mas dentro de mim, tudo é turvo e ruidoso.Antes que eu possa sair, um carro escuro se aproxima em velocidade incomum. Freia bruscamente diante da casa. Rafael desce antes mesmo de desligar o motor, o rosto marcado por tensão e cansaço.— Raul? — ele me encara, a voz carregada de inquietação. — O que está fazendo aqui? Aconteceu alguma coisa? Acabei de ver… há várias chamadas da Anna.Fico em silêncio por um segundo, mas já sei que é tarde demais para disfarces.— E só agora você viu?O olhar dele salta para a porta da casa, depois volta para mim. A expressão se transforma rápido: da surpresa à desconfiança. Da confusão à indignação.— Você passou a noite aqui?— Rafael... — começo, tentando ma
Horas depois...AnnaA luz que entra pela fresta da cortina é delicada, dourada, quase tímida. Ela beija meu rosto como um afago, mas não me acorda de verdade.O que me desperta... é o calor.O calor de um corpo que ainda está aqui.Abro os olhos devagar, como quem teme que tudo tenha sido só um sonho. Como quem tem medo de que a realidade, sempre tão dura, venha me arrancar o que o coração mal começou a aceitar. Meus dedos deslizam pelo lençol e encontram pele. A dele. Quente. Real. Presente.Raul está deitado de lado, virado para mim. Os olhos fechados, o rosto sereno, os cílios espessos descansando sobre a pele. A respiração dele é lenta, profunda. O peito sobe e desce com um ritmo que embala, que acalma, como se o sono ainda o envolvesse numa paz rara.E pela primeira vez, desde que meu pai se foi... há paz no meu quarto.Uma paz que não grita. Que não pede licença. Que só... se instala.Como se, por alguns minutos, o mundo lá fora tivesse perdido a urgência. Como se a ausência qu
Último capítulo