NARRADO POR MURALHA
(o homem que nunca engoliu a própria saudade)
Ela terminou de falar com aquele olhar que não pedia licença. Não era súplica. Era desafio. Orgulho puro, empilhado em cima de tudo que ela engoliu pra chegar viva até aqui.
Dei um passo pra perto. Só um.
O suficiente pra fazer o ar pesar entre nós.
— “Tu sabe onde encaixa, é?” — murmurei, com aquele meio sorriso torto, mais deboche que ternura. — “Pois encaixa direito então. Porque aqui fora o buraco é mais embaixo, Fagulh